A volta das balinhas?
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sábado, 11 de outubro de 2008
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os porquinhos que se cuidem. Afetados pela greve nacional dos bancários, iniciada na última quarta-feira, muitos comerciantes londrinenses já estão aflitos em busca de moedas e notas miúdas para troco. ''Está desesperador'', desabafou Pedro Sérgio de Oliveira Campos, gerente de uma farmácia no Centro.
Notas de R$ 1, R$ 2 e R$ 5 são as mais escassas, conforme a FOLHA apurou em estabelecimentos de Londrina. Nas casas lotéricas - alternativa para algumas operações financeiras - o movimento aumentou e a dificuldade para trocar dinheiro, também. ''O problema de troco já vem de um tempo atrás, mas agora piorou. Deixamos sempre uma reserva grande para não prejudicar os clientes, mas se a greve continuar, com certeza teremos dificuldades'', afirmou o dono de uma lotérica na Avenida Maringá, Eduardo Domingues.
No caixa de uma banca de jornais no Centro, a proprietária Marlene Taramelli contabilizava, na manhã de ontem, apenas 11 moedas de R$ 1. Notas do mesmo valor, nenhuma. ''A coisa está feia. Os caixas eletrônicos só estão soltando notas de R$ 20 para cima, e as pessoas ficam segurando as moedas em casa. Não gostam de carregá-las, mas também não passam para frente'', reclamou. O problema só não é maior porque a banca possui uma máquina de café alimentada com moedas, o que garante o giro. ''Foi um dos motivos pelos quais adquirimos a cafeteira'', comentou Marlene.
A saída encontrada pelos comerciantes é apelar para a política da boa vizinhança. ''A gente vai se virando entre as farmácias da própria rede e indo atrás de mercados, bancas, lotéricas, padarias. A cordialidade dos vizinhos é que está ajudando'', afirmou Campos.
Uma panificadora da Área Central acabou se tornando o destino de vários comerciantes em apuros. ''A gente retém bastante (notas miúdas), pois é preciso ter reserva. Dá para socorrer os conhecidos, mas se trocarmos dinheiro para todo mundo vai acabar faltando'', ponderou a comerciante Karina Ferraz.
A greve também atinge correntistas nos caixas eletrônicos. O empresário Rodrigo Weber passou por três máquinas antes de conseguir fazer um saque, na manhã de ontem. ''Também precisava tirar o saldo, mas informaram que a operação não era possível'', reclamou. A auxiliar administrativa Oseli Ferrari saiu de um posto de auto-atendimento de mãos vazias. ''Vou tentar outro local. Ficar sem dinheiro, não dá'', frustrou-se. Até ontem, 332 agências permaneciam fechadas em todo o Estado. Sindicalistas afirmam que a greve continua amanhã.


