A volta da velha balsa do Tibagi
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Assaí No final dos anos 70, a balsa que ligava os municípios de Assaí e Londrina, através do Rio Tibagi, estava mergulhada em uma época de transição na agricultura. Aos poucos, após a terrível geada de 75, os produtores foram abandonando o café em detrimento de outras culturas, como o algodão e, mais tarde, a soja.
Em Assaí, gente que nunca saiu da beira do rio se lembra com carinho daquele tempo. ''Nossa, dá saudade toda vida. Era uma movimentação muito grande, tinha até ônibus de passageiro passando por aqui'', puxa pela memória o agricultor João Maria Lourenço, de 62 anos, que cuida de uma propriedade de oito alqueires, onde mora com a mulher e a filha mais nova.
A balsa do Tibagi ajudava movimentar a economia da zona rural de Assaí que, mesmo indiretamente, estava vinculada aquilo que o rio poderia proporcionar. Agora, a possibilidade da balsa voltar, a partir de uma iniciativa da atual administração municipal, está deixando moradores do local com a esperança de vivenciar uma fase de transformação sócio-econômica.
Uma dessa pessoas é Guilherme Monteiro da Fonseca, 40 anos, filho de uma família tradicional da região, que nasceu na beira do Tibagi e se lembra como era diferente a época em quem a travessia entre as duas cidades era possível através do rio. ''Eu era moleque, mas me lembro bem de como era isso aqui. Somente perto de casa, tinha duas mercearias e mais pra frente um pouco tinha outras duas. A movimentação era grande, com gente indo e vindo dos dois lados'', contou.
De acordo com os agricultores, que resistiram ao fluxo de abandono do campo, a balsa deixou de funcionar em 1980, com a intransigência do proprietário do terreno do lado londrinense do rio. ''Ele queria cobrar pedágio antes de todo mundo. Se ele não tivesse criado problema naquela época, a balsa estaria funcionando até hoje'', afirmou Fonseca. Com a interrupção do transporte, segundo eles, o éxito rural nas localidades de Assaí tornou-se inevitável. João Maria tem dois filhos mais velhos, que se criaram no sítio, mas se mudaram pra cidade em busca de trabalho. ''Acho que nesses anos, mais de 40 famílias foram embora pra Londrina, Ibiporã, Cambé e até pra São Paulo'', arriscou Miguel Lourenço Neto, 44, agricultor, mais um nativo da região.
Todos já têm planos se o projeto de reativação da balsa realmente sair do papel. A idéia mais apregoada é criar na região um pequeno cinturão de hortifrutigranjeiros, aproveitando a redução da distância até Londrina e Ibiporã. Com o balsa, o percurso até Londrina, que pela rodovia chega a 70 quilômetros, não vai passar de 30. ''A gente pode começar a plantar verduras e legumes e negociar no Ceasa de Ibiporã, sem gastar muito com o transporte. A gente pode até pensar em comprar uma caminhonete'', projeta Miguel Lourenço.
Os moradores também apostam na valorização de suas propriedades com a provável chegada de comerciantes de diferentes setores. ''Nossas terras vão valorizar muito com o movimento. Hoje, tenho parente que diz 'não vou na tua casa porque é muito longe'. Com a balsa, essa distância vai diminuir em 50% até Londrina'', ponderou Miguel, que tem a pescaria com principal hobby.


