A vitória pela educação
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de junho de 2009
Wilhan Santin<BR>Reportagem Local 
Em 1914, durante um discurso no senado, o célebre Rui Barbosa (1849-1923) exclamou: ''De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.''
Quase um século depois, as palavras de Rui Barbosa ainda são atuais. Porém, há o outro lado da moeda. Poderíamos dizer que a cada história de superação, a cada mostra de que é possível vencer adversidades, o homem chega a ter orgulho de sua raça, a sentir-se feliz por ser honesto e a animar-se para continuar lutando. E o melhor é que não faltam bons exemplos. Ao procurar personagens que, por meio da educação, superaram obstáculos, a reportagem recebeu diversas sugestões.
São histórias como a de Klayton Rodrigues de Souza, 18 anos, acadêmico do segundo ano de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Morador do Jardim Santa Fé, na Zona Leste da cidade, ele pegou gosto pela leitura por meio dos livros, revistas e gibis que a sua mãe, a catadora de material reciclável Bernadete Rodrigues de Souza, 42, achava no lixo e levava para casa.
O menino começou a escrever poesias com 13 anos e, após ter sua história contada pela FOLHA, recebeu uma bolsa de estudos de uma escola particular. Klayton agarrou a oportunidade. Estudou muito. E quando todos pensavam que ele seguiria o caminho das letras, surpreendeu. Quis Enfermagem. ''Fiz uma visita a uma UTI e fiquei encantado com a profissão. Vi que por meio dela poderia ajudar as pessoas. Além disso, ser enfermeiro não vai me impedir de continuar escrevendo'', explica. Convicto, prestou o concorrido vestibular da UEL. Foi aprovado logo na primeira tentativa.
Sobre sua história de vida, o poeta se diz grato pelas oportunidades que teve e ressalta que as coisas boas só podem acontecer na vida de um jovem como ele por meio da educação. ''Mas parece que ela não é a prioridade'', lamenta. ''Sei que o destino de muitos garotos pobres como eu não é o ideal. Estamos fartos de exemplos de meninos que partiram para o crime, para o tráfico, ou seja, para o jeito mais fácil de conseguir as coisas. Se eu não tivesse aproveitado as oportunidades que tive, provavelmente hoje não estaria na faculdade''.
De sorriso fácil pela chance de viver diariamente a rotina do Hospital Universitário (HU), que ele chama de segunda casa, Klayton também anda feliz por ver a sua maior incentivadora, dona Bernadete, sair do analfabetismo. ''Minha mãe era analfabeta, mas sempre me disse que só o estudo é que poderia mudar a minha vida. Sempre me incentivou. Agora, estou ajudando-a aprender a ler. Está sendo emocionante'', conta.
Apesar da pouca idade, a experiência de vida do futuro enfermeiro é ampla. Convidado a deixar uma mensagem para os leitores, ele pensa por alguns segundos e diz com seriedade: ''Oportunidades existem. Elas sempre aparecem nas nossas vidas. Temos que evoluir por meio daquelas que aparecem e também por meio daquelas que criamos. Também precisamos de humildade para estarmos sempre conscientes de que não sabemos tudo e de garra para fazer tudo como se fosse a última vez; contar com os amigos, ter gratidão e fé em Deus''.


