A violência que expulsa de casa
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Wilhan Santin<br> Equipe da Folha 
Londrina - Maria (nome fictício) conta com naturalidade a sua sina, que já dura alguns anos. A história dela e de seus meninos tem no enredo drogas, assaltos e uma dolorosa expulsão da casa que ela penou para conseguir. Trata-se de uma das várias famílias londrinenses que foram obrigadas a deixar o lar por conta de ameaças de bandidos nos últimos meses.
O medo de registrar queixas de quem é ameaçado não permite a confecção de estatísticas. Mas profissionais que trabalham com vítimas de violência na cidade não pensam duas vezes para afirmar que a situação está se tornando corriqueira.
Os filhos de Maria, de 13 e 17 anos, estão cumprindo medidas socioeducativas. Nas fichas deles constam diversos crimes -roubo, furto e tráfico de drogas. Mesmo assim, a mulher, que está desempregada, ainda nutre o sonho de conseguir um teto para poder morar com seus meninos tão logo eles saiam dos centros de socioeducação.
Ela já teve um bom lar que a abrigasse junto com os dois garotos e as suas duas filhas. Uma casa construída com capricho pelo pessoal do Projeto Onde Moras. "Meu atual marido mobiliou toda a casa. Estava um brinco", recorda. Até que um belo dia ela foi "convidada" pelos traficantes que controlam as "bocas" do bairro a deixar a casa. O "convite" era uma punição por conta dos deslizes do filho mais velho, que roubou o carro de um conhecido de traficantes locais. "Já deixaram bem claro. Se eu ou alguém da minha família voltar para a casa, é morte", resigna-se.
Agora, ela enfrenta um dilema. Morando em uma casa que pertence ao seu atual companheiro, que não é o pai dos meninos, não pode receber os filhos quando eles voltarem. "Meu marido não os quer aqui. Eles já aprontaram demais." Por outro lado, já recebeu um recado bem claro da promotoria da Vara da Infância e Juventude: como mãe dos adolescentes é responsável por eles e tem que aceitá-los em casa.
"Por isso estou desesperada atrás de um emprego para conseguir alugar uma casa e viver com eles. Sou honesta, nunca cometi nenhum crime, mas pago pelos atos dos meus filhos. Muitos me dizem que a culpa disso tudo é minha, pois não eduquei os moleques. Mas não é assim, não sei como eles foram para o crime. Veja as minhas meninas, são muito educadas e frequentam direitinho a escola", desabafa.


