A violência praticada em nome do amor
Érika Pelegrino
De Londrina
Personagens da literatura e da história já retrataram a alma e o psiquismo do passional, que já foram dissecados por psiquiatras e estudados por juristas. Talvez uma das representações do amor humano transformado em tragédia mais conhecida seja o drama de William Shakespeare, no qual Otello mata sua amada Desdêmona e em seguida se suicida.
Numa favela próxima ao Jardim Leste-Oeste, em Londrina, a jovem Simone Aparecida Santos, 16 anos, teve o mesmo fim de Desdêmona. Seu companheiro Luiz Carlos Gouvela, 19 anos, matou-a com um tiro na testa disparado à queima-roupa. Só que, diferente de Otello, Luiz Carlos não se matou. Ele teria alegado ciúmes.
Envolvido com drogas, Luiz Carlos foi preso e condenado a três anos de reclusão por tráfico. Na última quinta-feira, foi julgado pelo assassinato da companheira e pegou um ano de prisão. A mãe da jovem, Maria Aparecida dos Santos, 44 anos, cuida do neto de 1 ano e 2 meses e está indignada com a sentença. Por tráfico de drogas ele pega três anos. Por tirar a vida da minha filha, apenas um ano. Não é justo. O promotor da 1ª Vara Criminal, Miguel Jorge Sogaiar pediu novo julgamento.
Fernanda, Ticiana, Simone, Jaqueline, Joselito, Beatriz são apenas algumas das vítimas do amor e de todos os sentimentos que o acompanham: medo da perda, ciúmes, inveja, raiva, culpa. Um dos casos mais conhecidos em Londrina e que continua sem solução aconteceu em 1989. Depois de mais uma violenta briga com a mulher, Fernanda Estrusani, o marido, Marcos Campinha Panissa, a matou com 72 facadas. Foram três julgamentos. No último, que deveria ter acontecido em 1995, ele não compareceu e foi decretada sua prisão.
Marcos Panissa continua foragido, embora existam informações de que ele more em São Paulo e venha constantemente a Londrina. O promotor da 3ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Iassaka, na época na 1ª Vara Criminal, afirma que há dois anos um delegado de São Paulo pediu uma cópia do mandado de prisão de Marcos Panissa. Nós enviamos mas não tivemos retorno do delegado, diz.
Recentemente, a mãe de Fernanda, Terezinha da Cunha Batista Estrusani, pediu que o processo corresse em segredo de justiça. Ela alegou que a exposição dos fatos em torno da morte de Fernanda era prejudicial para a neta, filha de Marcos e Fernanda, hoje com 15 anos.
Em 1996, a dona de casa Maria Suely Costa Moura matou com um tiro Jaqueline Carneiro Lobo, namorada de seu ex-marido, o médico João Bento Moura Neto. Em fevereiro de 1999 ela foi pronunciada para que fosse submetida a julgamento. Ambas as partes (defesa e acusação) recorreram e o processo se encontra no Tribunal de Justiça para julgamento do recurso.
Uma paixão não correspondida levou, em 1998, o carpinteiro Gilmar de Souza Santos, 34 anos, embriagado, a atirar contra a dona de casa Adriana Costa Oliveira, 26 anos, que foi ferida na região abdominal. Ele foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio no 3º Distrito Policial de Londrina.
Outro crime em 1998 teria sido motivado por traição. Joselito Pereira dos Santos foi morto a pauladas por Odair Villasboas no quarto de Cristiane Damasceno. A vítima era ex-marido de Cristiane, que namorava Odair. Ao que tudo indicava, a moça estava mantendo relacionamento com os dois.
Suportar um rompimento também pode ser impossível para algumas pessoas. O agricultor Gilmar Moreira, 27 anos, inconformado com o término do namoro com a estudante Beatriz Terezinha Justino Feo, 23 anos, deu um tiro na cabeça da moça. O crime aconteceu em Santa Helena, a 100 quilômetros de Foz do Iguaçu, no ano passado. Gilmar, na sequência matou o pai dela, Vitelmo Justino Feo e o tio, José Justino Feo.





