Todos os dias, a família do bancário Jorge Moriyo Kumagai separa as cascas de frutas, folhas e talos de verduras e legumes que sobram das refeições para dar um outro fim, que não a lata de lixo. ''Pego todo o resto e enterro no meu quintal. Aproveito também as folhas e restos de galhos para colocar nos pés de frutas que tenho plantado. Apesar do pouco tempo, já dá para perceber que aquela terra dura, ressecada, deu lugar a uma terra fofa e cheia de minhocas, o que é um bom sinal.'' Já a bióloga Sônia Torrecillas Martins faz uso da técnica de compostagem em seu sítio. São dois exemplos de alternativas para dar destinação correta ao lixo doméstico.
Segundo Kumagai, a família de quatro integrantes chegava a produzir cerca de três sacos de 60 litros de lixo por semana, mais o saco de reciclável. ''Somente com a separação do lixo doméstico reduzimos para menos de um saco de resíduos por semana. Foi uma queda impressionante. Só mando para o aterro o que realmente não tem como reaproveitar, como os rejeitos, por exemplo.''
A iniciativa, apesar de não ter comprovação científica, tem sido para ele uma solução para a diminuição dos resíduos que iriam para o aterro. ''Não sei se estou tomando uma medida certa, mas de alguma forma contribuo para a diminuição do lixo. Separar é apenas uma questão de hábito. Hoje, não consigo jogar nada que dê para aproveitar de alguma forma; dá dor na consciência'', comenta.
Curiosa e idealista como se define, a bióloga Sônia Torrecillas Martins, faz compostagem em sítio, no Distrito de Paiquerê, há cerca de cinco anos. ''Sempre separei o resto de alimentos para compostagem, mas não fazia tão intensamente. Antes eu enterrava as sobras. Agora, tenho um 'cercadinho', onde deposito o que é orgânico. Uso tudo, nada vai para o lixo'', conta.
Ela conta que junta todos os resíduos em um tambor e no final do dia despeja no cercado. ''Tudo o que dá para aproveitar das sobras de comida, eu separo. É casca de cebola, legumes em geral, bagaço de cana, pó de café, frutas que apodrecem, grama que é cortada, enfim, tudo mesmo.'' Como mora em Londrina, ela ainda faz um intercâmbio de resíduos. ''Tenho uma agroindústria que produz sucos de frutas. Tudo o que sobra de bagaço, eu levo para o sítio. Já o reciclável de lá, eu trago para ser recolhido na cidade.''
Depois de despejar os resíduos, ela coloca as camadas de terra e, por cima, folhas. ''Vou colocando os resíduos até completar a superfície. Acrescento ainda excremento de gado e de galinhas no monte. Deixo uns dias e depois revolvo todo aquele composto para fazer a oxigenação.'' O produto resultante, segundo ela, é de ótima qualidade. ''Quando maior a variedade de resíduos, melhor é o composto pela quantidade de nutrientes. Utilizo o adubo natural na minha horta, vasos de plantas e distribuio aos amigos'', ensina.

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