Quanto tempo um brasileiro perde de sua vida em filas? Seria um ótimo tema para pesquisa. Afinal, muita gente já passou horas e horas e horas enfileirados para pagar conta, receber salário, tirar documento, tomar vacina, conseguir vaga para o filho em escola pública.
Se tempo é dinheiro, não é exatamente esse o principal motivo por que reclamam os brasileiros. Mais que dinheiro, se perde a paciência (e a dignidade).
Existem ainda os que sofrem privações na ‘‘fila virtual’’. É aquela em que o cidadão aguarda em casa, muitas vezes na cama, uma decisão da Justiça ou o pagamento de um benefício social.
Paralisado por um derrame cerebral, o brasileiro Severino Pereira da Silva, 47 anos, ficou dois anos aguardando um serviço de fisioterapia. Agora está sendo atendido pela Universidade Norte do Paraná (Unopar). Sem família e sem dinheiro, Severino, desde fevereiro, mora na Casa do Bom Samaritano, em Londrina.
‘‘Se eu tivesse feito fisioterapia antes talvez já tivesse voltado a andar’’, diz. Antes do derrame, ele trabalhava como motorista. Severino agora está em outra fila. A do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ele aguarda receber o benefício do LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) – no valor de um salário mínimo – para poder comprar complementação alimentar.
A assistente social da Casa do Bom Samaritano, Maria Lucas de Lima, levou o processo de Severino à agência do INSS dia 24 de maio. Recebeu como resposta que a documentação só será protocolada dia 23 de julho. Para então ser analisada pelo INSS. ‘‘Esse agendamento é irregular. No dia em que levei, o INSS já deveria ter recebido o processo’’, diz.
Essa é só uma prova de que os serviços públicos – não é preciso nenhuma pesquisa para constatar isso – são os campeões em filas. É claro que os bancos – públicos e privados – são fortes concorrentes em mau atendimento.
Tanto que já se tentou multar os bancos pela demora nas filas. Uma lei municipal estipula que o prazo máximo que uma pessoa pode aguardar para ser atendida é de 15 minutos para os ‘‘dias normais’’ e de 30 minutos para os ‘‘dias de pico’’: aqueles em que todos vão até os caixas para receber salário ou pagar contas.
Em Londrina, até hoje nenhum banco foi multado por isso. Não porque eles respeitem a lei. Mas uma liminar obtida na Justiça pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) impede a multa. Por sua vez, a Secretaria da Fazenda de Londrina nunca fez nenhuma autuação.

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