Às 15 horas de um dia de semana, enquanto as coisas fervem em Londrina, a 32 km do Centro da cidade, no patrimônio rural de Taquaruna (Zona Sul), o que predomina é o silêncio. Quase todas as casas estão de portas e janelas fechadas e ninguém anda pelas ruas. O único morador encontrado pela reportagem é Wander José de Almeida, que já se acostumou aos dias solitários nos quais suas companhias são os cachorros, as galinhas caipiras e os porcos que engordam para a Páscoa que vem aí.
Mas Almeida não é o único morador de Taquaruna. Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que mais de 250 pessoas residem por ali. Então, por onde anda todo mundo? ''A turma vai para Londrina trabalhar. As mulheres em casas de família. Os homens nas indústrias. Movimento aqui só depois das 19h'', conta o simpático homem, que ao anoitecer deixa o serviço com as criações para abrir a mercearia que pertence à família há décadas e tem as instalações típicas, com caixa registradora e balcões de madeira, dos anos 1950.
''Hoje é assim: movimento aqui só à noite e de domingo, quando tem futebol e o time de Taquaruna joga no campo aqui ao lado. Mas no tempo dos cafezais, quando os colonos faziam o serviço que atualmente são das máquinas, essa mercearia chegou a ter seis balconistas. Onde agora é o barracão de criação de porcos era o armazém de cereais. Formavam filas de compradores'', comenta Almeida, com saudosismo, lamentando o êxodo rural.
Insegurança
A pequenina Taquaruna pode servir de exemplo da integração atual entre as áreas rurais e a região urbana. Depois da geada negra de 1975, que acabou com a era de ouro do café e a mecanização das lavouras, muita gente que antes era da roça passou a trabalhar na cidade. Por outro lado, as coisas da cidade chegaram onde antes a vida era essencialmente rural: internet, telefone, ônibus circular. No embalo, os problemas comuns à cidade: tráfico de drogas, roubos, furtos, homicídios e o esquecimento por parte do poder público, com as ruas e rodovias se enchendo de buracos e o vandalismo agindo solto por conta da presença tímida dos órgãos estatais.
Em Guaravera, a 40 km do centro da cidade pela PR-445, a reclamação da grande maioria dos moradores é sobre a segurança. Todos andam amedrontados com a onda de furtos e roubos que incomoda principalmente chacareiros, sitiantes e fazendeiros. Dono de uma propriedade rural onde planta soja, Waldomiro Rodrigues Teixeira mora na parte urbana do distrito de 4.546 habitantes. Segundo ele, morar no sítio se tornou impossível. ''Se você fica lá com o trator e o caminhão logo aparece alguém para te roubar'', lamenta.
O chacareiro Douglas Aguiar dos Reis também reclama. A propriedade dele já foi assaltada nove vezes. Reforçou as fechaduras, a cerca e arranjou cinco cachorros, mas o problema continua. ''Sabemos que é um menor (de 18 anos). Ele vem armado com faca e já chegou a se atracar com um funcionário'', conta.
Mesmo assim é difícil achar alguém que esteja disposto a trocar o distrito pela cidade. Técnica em gestão pública da Prefeitura de Londrina, Lúcia Franco até poderia pedir transferência, mas prefere continuar trabalhando e morando em Guaravera. Ela cuida do telecentro que foi instalado há quatro meses pela administração municipal e que permite aos moradores o acesso gratuito à internet. São 10 computadores e chega a formar fila. ''Não penso em sair daqui'', ela sintetiza.

mockup