A violência e o atentado contra a vida em todas as suas dimensões são temas recorrentes nos noticiários. Mas não é apenas da violência urbana que a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano se refere com o tema ''Escolhe, pois, a vida!'' Segundo o arcebispo de Londrina, dom Orlando Brandes, a intenção da Igreja é preservar a vida desde o útero até o idoso ou doente em fase terminal, evitando assim o aborto e a eutanásia. Nesse entremeio destaca-se também a mistanásia (fome), violência, aquecimento global, suicídio e diversas outras formas de interrupção da vida porque para ele ''no mundo todo a vida está muito ameaçada''.
O Congresso Nacional tem 39 novos projetos de lei em andamento que, de acordo com o arcebispo, são agressores da vida, pois ''favorecem o aborto, a prostituição e o homossexualismo''. Porém, a real preocupação da CF é com as diversas linhas de pesquisa que usam como cobaia embriões humanos. ''A Igreja se posiciona contrária, tanto ao aborto, que é a eliminação da vida, como o congelamento de embriões e com o uso dessas células, que é um individuo, uma vida humana que tem o direito de nascer, se desenvolver, morrer e na nossa fé, ressuscitar'', comenta o arcebispo.
Não existem dados concretos sobre o número de abortos clandestinos no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em 2006 o SUS realizou cerca de 222 mil procedimentos de raspagem de útero decorrentes de abortos espontâneos ou induzidos. A psicóloga Maria Tereza da Costa Carvalho relata que existem diversos motivos que levam uma mulher a tomar esse tipo de atitude. ''Elas podem não querer o filho, não gostam do parceiro... Geralmente o desespero é a principal causa''.
A estudante de nutrição Carolina (nome fictício), 19 anos, praticou um aborto há um ano e relata que o motivo foi o medo de decepcionar os pais, muito religiosos. ''Não quero ser hipócrita em dizer que foi apenas um único motivo, pois a idéia de ter um filho me assustava muitíssimo, por ser nova e estudante, mas o principal com certeza era o medo de magoá-los'', confessa a jovem, que hoje acha que cometeu um grande erro que a perseguirá pelo resto da vida. Para provocar o aborto, Carolina comprou um remédio de venda proibida. Ela fez três tentativas antes de conseguir terminar a gravidez.
A Campanha da Fraternidade também pretende coibir o uso de métodos contraceptivos. ''Não precisamos diminuir os comensais da mesa, nós temos é que distribuir melhor as iguarias'', defende o arcebispo. Dom Orlando diz ainda que é necessário fazer o planejamento familiar, mas de forma natural e que isso é repassado aos casais nos cursos de noivos promovidos pela Igreja Católica.
Para fazer a divulgação e conscientização dessa filosofia, a Igreja produziu folderes, DVDs institucionais, comerciais e inclusive enviando uma carta para cada ministro do Supremo Tribunal Federal, que está decidindo sobre a lei da biossegurança, alegando inconstitucionalidade na eliminação de um embrião para pesquisas científicas. O documento tem o aval de mais de 300 cientistas do mundo todo que em 2006, em um encontro em Roma, assinaram um documento concordando com a não utilização de células embrionárias como fontes de pesquisa.
O arcebispo deixa claro, no entanto, que não condena as pessoas que praticaram o aborto: ''Nós estamos estendendo para elas a mão misericordiosa de Deus e pedindo que agora venham e defendam a vida''.

mockup