A vida depois do 'lixão'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Carolina Avansini<BR> Reportagem Local 
Moradora de uma propriedade rural no Limoeiro (Zona Leste de Londrina), a dona de casa Erlaine de Oliveira viveu, por 16 anos, a expectativa de se livrar de um vizinho indesejável: o aterro controlado, que durante muito tempo foi conhecido como ''lixão''
A convivência com o problema chegou ao fim há duas semanas, quando o lixo produzido pela população de Londrina passou a ser depositado no aterro sanitário construído no Distrito de Maravilha (Zona Sul) Para Erlaine, a mudança significa o fim da poeira constante provocada pelo alto trânsito de caminhões, do mau cheiro - que continua incomodando os vizinhos - e do medo da contaminação ambiental
''Para nós é um alívio'', disse ela, que amargou durante anos a convivência com a poeira que deixava doente a filha Ana Caroline, 15 anos Para ela, a desativação do aterro traz a possibilidade de um lugar melhor para morar ''Aqui não tem área de lazer para os moradores, que estão no bairro há muitos anos Minha sugestão é que aproveitem o terreno para fazer uma pista de caminhada ''
Na casa do segurança Edson Soares, o cheiro e os mosquitos fazem parte de um incômodo que durou por toda a vida ''Lembro quando instalaram o aterro, eu era bem pequeno'', contou Com lavoura no local, ele revela que, há 15 anos, a família desativou um poço porque a água subterrânea estava contaminada pelo chorume
A expectativa do segurança - e de toda a vizinhança - é que a desativação provoque a esperada valorização da região localizada há poucos quilômetros da Zona Urbana ''Estamos em uma área nobre Acredito que, agora, sejam construídos condomínios por aqui ''
Estudo
Uma equipe de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), comandada por Fernando Fernandes, do departamento de Engenharia Civil, elaborou um estudo para orientar o fechamento total do aterro O projeto, realizado em parceria com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), está sendo avaliado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP)
O documento, além de especificar as ações necessárias para remediação da área, sugere possibilidades de ocupação após o fim das obras ''A entrada do terreno, perto da rodovia, poderia receber equipamentos comunitários e de lazer'', disse o professor Nas porções mais avançadas, onde também não há lixo, a ideia é instalar um viveiro, preservar a mata existente e ampliar a reserva legal
Já o local que acumula a maior quantidade de lixo é inadequado para obras civis, a não ser que sejam feitos estudos de geotecnia Algumas partes do terreno, de acordo com o projeto, também poderiam ser usadas no complexo do próprio Centro de Tratamento de Resíduos, como, por exemplo, o trabalho de compostagem dos resíduos de podas


