A Rua Celeste Contó Moro está se tornando a "via religiosa" dos moradores do Residencial Vista Bela e do Jardim Padovani, na zona norte de Londrina. Entre as instituições religiosas presentes estão a "quase" Paróquia Beato João Paulo II e as igrejas Adventista do Sétimo Dia, Assembleia de Deus e a Pentecostal Deus de Abraão. Quem passa pelos dois quilômetros da rua pode ouvir dois estilos musicais bem diferentes, mas executados em alto volume. De um lado estão as residências com funks entoados com letras esbanjando trocadilhos de cunho sexual e, de outro lado, hinos de louvor, cantados a plenos pulmões pelos fiéis.
O Vista Bela começou a receber moradores há dois anos e hoje conta com cerca de 10 mil habitantes. Uma das primeiras igrejas a se instalar na via foi a Assembleia de Deus, que emprestou um espaço utilizado até hoje na casa da moradora Aparecida da Silva, de 74 anos.
Na época, há dois anos, apenas dez fiéis frequentavam a casa para louvar a Deus. "Pouco a pouco esses dez começaram a evangelizar pelo bairro e logo o número de fiéis aumentou", relatou Aparecida. No quintal de sua casa os irmãos da igreja levantaram uma cobertura e instalaram o assoalho de madeira. Bancos foram cedidos e hoje, em um espaço de aproximadamente 20 m², 77 fiéis se reúnem às terças-feiras e sábados durante a noite e nos domingos pela manhã.
Se o espaço limitado é um problema para que a igreja se expanda, a solução foi adquirir um terreno na mesma rua, onde está sendo construída uma sede com dois pavimentos. Segundo o pastor Sílvio Rodrigues da Silva, a obra terá 524,28 m² e será executada em duas etapas. "A primeira será concluída no primeiro semestre e permitirá reunir 120 fiéis; a segunda etapa será construída no segundo semestre e ampliará a capacidade para 480 pessoas", revelou.
Ao lado da construção, existe uma tenda com lona azul e amarela da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que está com uma capacidade provisória para cerca de 300 fiéis. No local já foram erguidos os muros e a intenção dos responsáveis é que as obras da sede devem ser iniciadas ainda neste ano.
No número 908 da mesma rua fica a Igreja Pentecostal Deus de Abraão, instalada no quintal da casa da moradora Lucinete Ferreira de Oliveira, de 39 anos. Ela garante que o local não é bem uma igreja, mas um ponto de pregação, com cultos religiosos às terças-feiras, sábados e domingos. "Quando eles se instalaram aqui foi uma benção, pois eu estava em um ponto crítico de minha vida, dependente do álcool e tomando muitos remédios. Desde então parei de beber e parei de tomar os remédios", afirmou.
"A gente prega a palavra de Deus. Acredito que Deus ainda fará uma grande obra naquele bairro", declarou a pastora Aparecida dos Reis. Ela defendeu que os moradores esqueçam a parte financeira para viverem as suas vidas focadas no que prega a Bíblia.
A católica Eudes Salestiana Ribeiro, de 55 anos, declarou que a religião serve como conforto e dá esperança. "A gente fica mais animada com a palavra de Deus. "Não temos nada aqui no bairro. Precisamos de escolas, postos de saúde, creches, água e segurança."
A camareira Vanessa Moura, de 20 anos, é outra moradora que busca na religião um conforto para seus problemas. "Eu já frequentei várias igrejas. Se discuto com alguém da minha família ou se estou com dívidas, por exemplo, depois que entro na igreja e escuto a palavra de Deus o coração fica mais leve, parece que acalma uma tempestade que existe dentro de mim", confidenciou. Ela acredita que várias igrejas em locais tão próximos podem gerar problemas no futuro, já que algumas são mais barulhentas que as outras. "Ficar pertinho assim pode não ser muito bom", projetou.
Além das localizadas na Rua Celeste Moro, existem ainda a Igreja Evangélica Vida Renovada, na Rua André Buck (Jardim Padovani), e a Batista Renovada - Ministério Missão de Fé, localizada na Rua José Alves Pereira, também no Padovani, que ainda possui apenas uma edícula. Há outras três igrejas evangélicas que promovem encontros em casas no Vista Bela, mas os pastores não foram encontrados pela reportagem.
Os representantes das igrejas ouvidos pela FOLHA afirmam que o grande número de templos religiosos não representa problema. Eles foram unânimes em dizer que há espaço para todos e que o importante é que a população seja atendida.

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