A verdade entre as perobas
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segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Rodrigo Souza Grota 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) passou, recentemente, por momentos únicos de sua história. Em menos de uma semana, chegou a contar com dois reitores simultâneos, um afastado (Jackson Proença Testa) e um legítimo (Pedro Gordan). Dois dias depois, não havia mais ninguém que pudesse responder como reitor da Universidade. A confusão foi tão itensa que em uma reunião do Conselho Universitário (CU), o órgão máximo da UEL, o vice-reitor Mauro Ticianelli declarou estar se afastando, chorou, e logo mais à tarde, retomou seu cargo como se nada tivesse acontecido.
A busca do conhecimento e da verdade, fundamento universal que impulsionou a criação das universidades na Idade Média, andou esquecida em meio a tantas reviravoltas. A UEL, que em 1998 se destacou como a terceira colocada no Exame Nacional de Cursos (o Provão), esteve desgovernada, ou no mínimo, evidenciou uma situação já deflagrada na apresentação do relatório elaborado pela Comissão Especial de Investigação (CEI) do CU, que apontou 16 tipos de irregularidades na instituição.
Confusos ou indiferentes, grande parte dos estudantes, funcionários e professores assistiram à grave crise que acometeu a instituição de olhos abertamente fechados. No dia anterior à apresentação do relatório da Comissão, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) preferiu defender uma mobilização geral na UEL devido ao projeto de lei que prevê a cobrança de mensalidades nas universidades públicas, ignorando a crise que se instalou na instituição.
O que se constata e o que se lamenta é a indiferença da comunidade diante de tais acontecimentos, já que a comunidade universitária permaneceu dissimulada em frente a tantas denúncias. Na última quinta-feira, durante duas horas, boa parte dos funcionários interrompeu as suas obrigações para se atentar exclusivamente ao embate entre Brasil e Panamá. Na sexta-feira à tarde, a decisão histórica do governador afastando Testa não causou maiores discussões ou avaliações sobre as condições reais em que a UEL se encontra.
Apesar da confusão que marcou os últimos dias, há muitas perguntas a serem respondidas ainda. E a comunidade ainda pode se manifestar. Alguém sabe detalhadamente o que é feito com os R$ 150 milhões repassados à UEL anualmente pelo governo estadual? O reitor afastado tentou responder, mas até hoje nunca explicou quem coordena a publicidade da Universidade, nem quais razões o levaram a realizar 146 obras em sua gestão. Dessas 146, a CEI só investigou cinco, e em todas constatou-se irregularidades. Se o silêncio marcou os últimos dias na instituição, a verdade ainda permanece intacta. Basta a população buscá-la.


