A velhice da senhora
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Phoenix Finardi<BR>Reportagem Local 
Para uma senhora de 67 anos, ela até que está bem. Tem lá suas dores, seus achaques coisas da velhice, mas parece ainda forte e vigorosa. Nesta idade, os problemas de saúde são inevitáveis faltam médicos nos postos, o atendimento é demorado, os hospitais reclamam de superlotação nos pronto-socorros. O mesmo tempo que desgasta veias e ossos maltratou também as ruas, cheias de buracos. As lombadas, como se fossem rugas, se elevam aqui e ali e não há cirurgia plástica que consiga acabar com elas.
Quando era jovem e ainda pequena, cheia de viço, ela não se preocupou em crescer nenhum jovem pensa nisso. Agora, a falta de planejamento é vista no trânsito desorganizado e congestionado, que rende xingamentos constantes e tem matado muitos outros velhos atropelados.
Ah, a falta de respeito com os velhos... Ela também é vítima de violência, como tudo e todos que ficam enfraquecidos sem proteção. Cento e três londrinenses assassinados até agora não vão mais comemorar o aniversário dela, em dezembro. A morte fica cada vez mais próxima e neste caso não é por causa da velhice um assassinato a cada dois dias. Como a maioria dos problemas da terceira idade, também a violência parece não ter solução.
Mas estamos na Semana do Idoso e é preciso contabilizar as vantagens da maturidade. A velha senhora ganhou uma nova consciência moral e política gerou movimentos como Pé Vermelho e Mulheres Batalhadoras. Nada como poder ''corujar'' os filhos, não é? Um prazer que essa senhora certamente tem porque há tanta coisa pra ela se orgulhar filhos e netos notórios e anônimos que ela conhece como ninguém, alguns que ainda moram com ela e outros espalhados pelo mundo.
A sabedoria, outro ponto para a maturidade que a velha senhora também exibe. Gente de toda parte busca com ela cura para doenças novas e complicadas, tratamentos de vanguarda, tecnologia de ponta. Tudo isso ela tem para dar. E ainda aproveita o '' status'' de terceira cidade do sul do país para inaugurar novas universidades. Já aprendeu que investir em conhecimento é a melhor garantia para o futuro.
Tem coisas boas, coisas ótimas essa velha senhora. Conseguiu conservar um certo jeito de menina em ruas estreitas de paralelepípedos, com cadeiras nas calçadas onde às vezes se sente o cheiro de café torrado.
Especialistas afirmam que um dos grandes riscos da velhice é a depressão, geralmente provocada pelo abandono dos filhos. Esse perigo, porém, Londrina não corre.


