A ''velha'' história das abelhas
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quarta-feira, 04 de setembro de 2002
Phoenix Finardi 
Seo Dirceu tinha um amigo que criava abelhas lá para as bandas de São Jerônimo da Serra. Ele morava em Londrina e fazia fretes com um velho Fordeco, daqueles que têm a carroceria aberta.
Um dia, lá pelos idos de 1980, seo Dirceu recebeu um telefonema do amigo. Era um pedido. Será que ele podia transportar umas caixas de abelha para Londrina? Seo Dirceu concordou amigo é pra essas coisas.
Combinaram de fazer o transporte na semana seguinte, durante à noite. ''De noite, elas ficam mais calmas, tem menos luz e barulho e a gente corre menos risco delas saírem das caixas'', explicou o amigo. A viagem ficou acertada.
Na noite combinada, seo Dirceu e o amigo acomodaram, com o maior cuidado, as caixas de madeira na carroceria do Fordeco. As abelhas estavam tranquilas. Antes de sair, seo Dirceu escutou as recomendações do amigo: evitar sacolejos e freadas bruscas, não passar com o caminhão por locais muito iluminados ou barulhentos e, sobretudo, não mexer nas caixas. Em Londrina, ele não precisaria entrar na cidade, levaria as abelhas direto para uma propriedade na zona rural onde um outro apicultor se encarregaria de desembarcar as caixas.
A viagem transcorreu tranquila até o posto da Polícia Rodoviária, em Mauá da Serra. Ao avistar as luzes e os policiais no meio da pista, seo Dirceu lembrou das recomendações do amigo. Parou o Fordeco uns metros antes do posto e foi a pé conversar com os policiais. Explicou que estava transportando umas abelhas muito bravas e que era melhor os guardas esquecerem a fiscalização. ''De jeito nenhum. Pensa que vamos cair nessa? Essa estória de abelhas é velha. Pode trazer o veículo para cá que o senhor vai passar pela fiscalização'', disse um dos policiais, com voz autoritária. Seo Dirceu tentou argumentar, mas vendo que só conseguia deixar os policiais mais desconfiados, desistiu. ''Tá certo, mas depois não digam que não avisei'', conformou-se.
Obediente, seo Dirceu trouxe o Ford e as abelhas e parou no acostamento, onde os policiais já esperavam por ele. Ao invés de descer do carro, seo Dirceu fechou as janelas da cabine e ficou esperando. A confusão não demorou. Assim que os policiais ligaram as lanternas e mexeram nas caixas, as abelhas ficaram furiosas. Os dois policiais saíram correndo, se batendo e gritando. Um deles, de longe, fez um sinal desesperado para o seo Dirceu ir embora. Sorrindo, ele ligou o motor e partiu, devagarinho, para não espantar ainda mais as abelhas. Lá de longe, tomou coragem, abriu a janela e gritou: ''Eu bem que avisei''. Até hoje não recebeu nenhuma multa.


