A vacina como forma de prevenção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 2014
Reportagem Local 
Brasília - O tétano é uma doença infecciosa aguda não contagiosa e que deve ser prevenida. É causada pela fixação no sistema nervoso de exotoxinas do Clostridium tetani, distribuídos na terra, água, poeira, bem como na superfície de animais, vegetais e objetos inanimados. O tétano pode ser adquirido de forma acidental e há, ainda, o Tétano Neonatal, que acomete recém-nascidos. As informações são do Ministério da Saúde.
Clinicamente, o tétano se manifesta por hipertonia mantida dos músculos masseteres (trismo e riso sardônico) e dos músculos do pescoço (rigidez de nuca), ocasionando dificuldade de deglutição (disfagia), que pode chegar à contratura muscular generalizada (opistótono); rigidez muscular progressiva, atingindo os músculos reto-abdominais (abdome em tábua) e o diafragma, levando à insuficiência respiratória. Também ocorrem crises de contraturas desencadeadas, em geral, por estímulos luminosos, sonoros ou manipulação do doente.
O doente deve ser internado em unidade assistencial apropriada, com mínimo de ruído, de luminosidade, com temperatura estável e agradável. Casos graves têm indicação de terapia intensiva, onde existe suporte técnico necessário ao seu manejo e das complicações, com consequente redução das sequelas e da letalidade.
TRABALHADORES
O tétano acidental é uma doença que ocorre mediante a introdução do bacilo no organismo em decorrência de ferimentos ou lesões de pele. O período incubação é curto e acontece entre o início do ferimento (provável porta de entrada do bacilo) e o primeiro sinal ou sintoma, variando de 5 a 15 dias. Quanto menor for o tempo de incubação, maior a gravidade e pior o prognóstico.
No Brasil, tem-se observado uma redução contínua do tétano acidental. Entre os anos de 2007 a 2013 foram registrados 2.280 casos no país e concentram-se no grupo com faixa etária de 30 a 59 anos de idade. A maioria ocorreu em aposentado-pensionistas, trabalhadores agropecuários, seguidas pelos grupos de trabalhadores da construção civil (pedreiro) e donas de casa.
Em 2012 e 2013, foram confirmados 314 e 263 casos em todo território nacional. A letalidade, nesse mesmo período, foi de 34% e 33% respectivamente, sendo considerada elevada, quando comparada com os países desenvolvidos, onde se apresenta entre 10 a 17%.
SAÚDE PÚBLICA
O Tétano Neonatal (TNN) é uma doença que pode acometer recém-nascidos de dois a 28 dias de vida, filhos de mães não imunizadas. A porta de entrada da contaminação pode ser durante o parto, por ocasião da secção do cordão umbilical com instrumentos inadequados e contaminados ou após o parto pelo uso de substâncias contaminadas no coto umbilical. O período de incubação é aproximadamente 07 dias (por isso conhecido por mal de 07 dias), podendo variar de 02 a 28 dias.
O TNN é praticamente eliminado nos países desenvolvidos, mas ainda permanece como importante problema de saúde pública nos países em desenvolvimento, principalmente no continente africano e sudeste asiático onde se concentram cerca de 74% dos casos. Nos últimos anos a letalidade no Brasil tem estado em torno de 60%.
Vale ressaltar que após resolução da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminação do tétano neonatal no mundo (menos de 1 caso/1 mil nascidos vivos), o Brasil elaborou e implantou, em 1992, o Plano Nacional de Eliminação (PETNN), tendo por estratégias principais a vacinação de 100% das mulheres em idade fértil (MIF), de 15 a 49 anos, que moram em áreas de risco, melhora da cobertura e qualidade do pré-natal, parto e puerpério e o cadastramento e capacitação das parteiras curiosas atuantes em locais de difícil acesso visando eliminar a ocorrência dessa doença. Em 1995 implantou o Plano Emergencial para os municípios de alto risco para a doença.
No Brasil, o desenvolvimento das ações possibilitou a redução do número de casos de TNN. Segundo dados registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), houve uma redução de 99% dos casos entre 1993 e 2012. No ano seguinte, dos 8 casos notificados, apenas 2 foram confirmados. O Brasil eliminou o Tétano Neonatal enquanto problema de saúde pública em 2003. A taxa de incidência no País está abaixo do preconizado pela OMS, porém, em alguns municípios essa meta ainda não foi alcançada.


