''Estou há 20 anos aqui, desde 1991 e seo Cláudio me ensinou a trabalhar. Não se pode trabalhar nervoso'', diz Reinaldo Nascimento Silva explicando a sua tarefa, que é atender a fiel clientela da ''Máquina de Arroz Londrina, tradição e confiança desde 1938'', formada por moradores do Centro, de bairros e até de distritos.
O beneficiamento de arroz e a seleção de feijão e outros produtos já não estão no prédio, agora um ponto de vendas que, pela originalidade da construção, parece um típico armazém do passado - os fregueses escolhem os produtos, compram por quilo e levam em cartuchos de papel. Mas também há vendas no atacado.
As duas décadas de Reinaldo entram numa cronologia em que Cláudio Rodrigues Sales, titular do negócio, há 37 anos aluga o imóvel, que pertence a herdeiros de Satoru Nishiyama. Conforme informações na ''História da Imigração Japonesa no Paraná'', deixando de ser colono na Fazenda Água do Bugre, em Cambará, Satoru mudou-se para Londrina em 1935, com a esposa e o filho (mais cinco nasceriam), presumindo-se que o galpão tenha sido construído em 1936 ou 37, o mais tardar. E a seguir a parte de alvenaria, para residência.
Mas não há uma informação precisa e Cláudio Sales mantém 1938 na placa. Procedente de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), ele chegou a Londrina na década de 60, já com experiência de longo tempo na comercialização de arroz, e sempre com beneficiamento próprio, que considera indispensável à sua exigência de padrão, correspondente ao interesse da freguesia.
E, para completar, um endereço tradicional, justamente o da primeira máquina de arroz da cidade. Desativada quando as residências aumentaram muito na área, a permanece guardada no prédio. Satoru Nishiyama também foi empresário de cinema, com o Cine-Teatro Municipal, inaugurado em 1940; na década seguinte mudou-se para São Paulo, indo se dedicar a uma fábrica de papel. Morreu em 1993, aos 84 anos. (W.S.)

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