Maringá - Praticamente todos os dias o lavrador aposentado Nelson Antoniazzo, 80 anos, tem um encontro marcado com a própria saúde. Na companhia de um amigo, vai até o Parque do Ingá, em Maringá (Noroeste), para exercitar-se nos aparelhos de uma das 41 academias da terceira idade (ATI) da cidade. Uma rotina que, garante ele, proporciona mais benefícios do que livrá-lo das doenças.
''A gente passa o fim de tarde aqui. Faz exercício, faz amizade com o povo, descansa um pouco, passa as horas. Já melhorou muito a minha saúde'', comenta o aposentado, cujo único exercício antes da inauguração das academias era ''varrer a calçada e carpir o quintal.''
Inspiradas em equipamentos semelhantes existentes na China, as academias da terceira idade de Maringá começaram a ser instaladas em pontos estratégicos da cidade em 2006. E caíram no gosto popular. Hoje, estão presentes em todas as regiões, principalmente perto das unidades básicas de saúde.
A novidade fez tanto sucesso que ultrapassou as fronteiras maringaenses. De acordo com a empresa Ziober ATI, fabricante dos equipamentos de ginástica, 570 municípios em todo o território nacional contam com as academias.
Um dos principais fatores que atraem o investimento do poder público e da iniciativa privada é a promoção da saúde. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, a procura por medicamentos nos postos - e de consultas por parte dos idosos - caiu depois da inauguração das ATIs. Outra vantagem, segundo a gerente de Promoção e Prevenção em Saúde Ana Rosa Oliveira Poletto Palácios, foi o convívio e a socialização nas comunidades.
Uma prova é que os próprios moradores dos arredores ajudam a cuidar das ATIs, o que impede a ação de vândalos, uma vez que não há vigilância em cada uma das 41 academias. E não é difícil constatar o envolvimento da comunidade. Em apenas uma visita ao Parque do Ingá num fim de tarde, a reportagem encontrou dezenas de famílias usando os equipamentos ou simplesmente passeando.
O bombeiro Sandro Rodrigues Geraldo, 31, por exemplo, tem a oportunidade de cumprir a obrigação - exigida pela profissão - de praticar exercícios com frequência e passar um tempo junto da esposa Elisa, 25, e da filha Rosa Maria, 2. ''A corporação exige e cada um tem de cuidar de seu preparo físico. Aqui é um ambiente bem agradável e seguro para vir com a família. E o melhor é que, para nós, é só atravessar a rua'', afirma.
São dez tipos de aparelhos, criados por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais de fisioterapia, educação física, ergonometria e da metalúrgica responsável pela fabricação. É possível praticar exercícios para alongamento, relaxamento, fortalecimento das condições cardiovasculares e da coordenação motora. O fato de estarem ao ar livre é um atrativo a mais.
A dona de casa Neri Okada Yokozawa, 52, não passa um dia sem exercitar-se. E passa por todos os aparelhos sempre que vai à ATI. ''Há sete anos faço academia. Na maioria das vezes aqui. É muito bom para a resistência, para aumentar o fôlego e, principalmente, o bem-estar'', enfatiza.

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