Foi o medo de frequentar agências bancárias que aproximou a professora aposentada Terezinha Alvim Gerhardt do universo da informática. Aos 79 anos, ela não vai ao banco para mais nada. Desde pagamento do condomínio até depósitos e transferências, tudo é feito pela internet. Terezinha faz parte do grupo de 260 mil pessoas acima dos 60 anos que acessa a rede mundial no Brasil, número que dobrou nos últimos quatro anos segundo dados do Ibope/NET Ratings.
O computador invadiu a casa de Terezinha no dia das mães, presente do filho preocupado com a segurança dela nas idas ao banco. Diante da dificuldade dos primeiros cliques, a professora aposentada decidiu fazer um curso básico de informática. Seis meses depois, já domina os programas de edição de texto, correio eletrônico e navega tranquilamente pela internet.
''Fiz o curso no meio de uns 40 adolescentes. Eles me ajudaram muito, assim como meu neto de 12 anos também me dá várias dicas. Foi bom até para aumentar minha participação nas conversas da família. Antes eu ouvia a palavra deletar e ficava por fora. Hoje estou bem mais antenada'', afirma a aposentada, garantindo que o computador não serviu para deixá-la mais isolada dos outros. ''Muito pelo contrário. Tenho irmãos espalhados por todo o Brasil, e como falar por telefone fica muito caro, a gente vive se correspondendo por e-mails''.
A rede de contatos da bancária aposentada Maria do Socorro Oliveira também aumentou depois que ela passou a navegar na internet, tanto que ela mantém contato com amigos até de outros países. Um deles é engenheiro ambiental no Panamá. Os dois nunca se viram, demoraram quase dois anos para mostrar a fotografia de um para o outro, mas cultivam uma grande amizade.
''Trocamos muitos livros, discos e fotografias, paixões que temos em comum. Sem contar que o contato com ele me ajuda a aprender o espanhol'', conta, lembrando que isto seria muito difícil de acontecer alguns anos atrás. ''Antes a gente mandava carta, era caro pagar o Correio e ainda demorava um tempão para chegar a resposta''.
O computador virou ferramenta imprescindível na vida de Maria do Socorro, servindo como combustível para a criatividade desde o primeiro contato com a máquina. ''No dia que comprei, estava tão empolgada que nem conseguia fechar o computador de tanta janela que havia aberto. Tive que ligar para o técnico vir me ajudar'', lembra a aposentada, que nunca mais parou de aprender e criar.
Depois do curso de programas de edição de imagem, ela começou a produzir cartões, marcadores de páginas e até um calendário de fotografias para uma empresa de telefonia da cidade. Além disso, Maria do Socorro faz questão de criar no computador novas capas para os CDs que compra. São mais de 300 diferentes na estante.
A aposentada, que pretende chegar aos 100 anos mexendo no computador, lamenta a falta de oportunidade de usufruir da informática na infância, e aconselha os mais velhos a entrar o quanto antes neste universo. ''Nunca é tarde para aprender. Nossas metas, ideais e sonhos são nosso combustível. Quanto mais você produz, mais jovem se sente''.
Foi pensando nisso que Otília Ribeiro da Silva, 65 anos, procurou um curso de informática para dominar os computadores. Seis meses depois de iniciar as aulas, ela admite que ainda se sente estranha em frente ao PC. ''Ainda está sendo complicado lidar com ele. No começo é tudo estranho, desde o jeito de mexer o mouse. Mas conforme a gente vai usando aprende todas as funções'', afirma a aposentada, que não admite a desculpa da idade para deixar de usar a ferramenta. ''Não adianta falar que está velho. Tem que aprender sempre. Faz bem para a mente, distrai, ocupa a cabeça''.
Segundo a professora de informática Josemary Galvão, existe um falso conceito de que os velhos têm mais dificuldade de aprender. Apesar de não ter a mesma velocidade de raciocínio, alunos de até 80, 90 anos são menos bloqueados do que os de 40 e 50. ''Os mais novos ainda estão presos no medo de errar que o idoso jogou fora. O medo de não saber e a dificuldade de se expor é o que mais prejudica o aprendizado'', explica a professora.
Josemary conta que, no começo, alguns não sabem nem pegar direito no mouse, e cada clique parece uma conquista. Para trabalhar a coordenação motora dos alunos ela usa o Paint, programa de desenhos que vem com o Windows. ''Enquanto para os mais novos um programa desses é uma chatice, para eles é a maior diversão do mundo. Tudo é novidade, é divertido''.
A professora reforça que o computador faz bem para a mente dos idosos, mas alerta para os riscos de um possível vício. ''Não pode ficar muito tempo na frente do computador, porque é uma atividade que cansa a vista, prejudica a coluna dependendo da postura. Também não pode passar madrugadas em claro, atrapalhar o sono. Tudo tem um limite'', orienta.

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