Mais uma passarela irá se somar, em breve, às três que foram construídas durante a duplicação da rodovia Carlos João Strass, na Zona Norte de Londrina. Reivindicada por moradores do Jardim Beleville, ela entrou no projeto como um aditivo à obra original e deve ser iniciada ainda este ano. Ao mesmo tempo, uma quinta passarela foi solicitada para a mesma rodovia e está sob estudo no Departamento de Estradas e Rodagem (DER).
Tais obras podem trazer mais segurança para os pedestres, mas também têm sido frequentemente sinônimos de dor de cabeça. Uma das passarelas da própria Carlos João Strass, por exemplo, mal foi inaugurada e já provocou protesto dos moradores do Jardim Tropical. Na PR-445, uma passarela de concreto construída há anos na altura do Parque Ouro Branco (Zona Sul) tornou-se um elefante branco: ninguém usa e o próprio poder público admite que a obra foi um erro.
Diante de um histórico como esse, fica a pergunta: vale a pena continuar construindo passarelas? E se realmente são necessárias, será que estão sendo planejadas adequadamente de forma a incentivar o seu uso pelos pedestres?
Para o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Luiz Figueira de Mello, as passarelas são fundamentais. ''Ainda não inventaram outra solução que permita o fluxo contínuo de veículos e, ao mesmo tempo, a transposição da via com segurança para os pedestres'', afirma. A mesma posição é sustentada pelo superintendente interino do DER em Londrina, Sérgio Selvatici. ''Em cidades como Curitiba foram feitos túneis para pedestres, mas à noite ninguém tem coragem de passar por eles'', cita.
Mello explica que os critérios utilizados para a instalação de passarelas são técnicos e ''de bom senso''. ''Observamos a existência de equipamentos sociais naquelas localidades, como postos de saúde, escolas, pontos de ônibus, e também a projeção de crescimento para a região'', diz. No caso do Jardim Tropical, o motivo de reclamação é justamente o fato de a passarela não beneficiar as crianças que estudam no bairro e precisam atravessar a rodovia. DER e prefeitura garantem que o projeto foi feito conforme solicitado por moradores.
Uma das críticas às passarelas - a vulnerabilidade à violência - foi aplacada com mudanças arquitetônicas. Atualmente, ao contrário da passarela do Parque Ouro Branco, elas são feitas em estrutura vazada, dando visibilidade aos transeuntes.
Mello e Selvatici concordam que falta conscientização e mudança de hábito para que os pedestres façam uso desses equipamentos viários. Faltam também campanhas públicas e placas que incentivem a população a atravessar as vias em segurança, além de fiscalização.
Quem usa não abre mão: ''Trabalho há anos nessa região e sempre atravessei na passarela. Acho que são boas soluções e deveria até haver mais, como em frente à Cacique, por exemplo'', sugere o operador Marcelo Wilesky, 28, que precisa atravessar a Avenida Tiradentes todos os dias. Para o eletricista Cleverson Lobato, 37, os pedestres que cortassem caminho deveriam ser multados: ''Só obrigando mesmo as pessoas se conscientizam'', opina.

mockup