As ruas do bairro que foi um dos primeiros a surgir em Londrina levam nomes de rios brasileiros. Xingu, Guaporé, Tietê, Ivaí, Iguaçu, além da famosa Rua Araguaia que, segundo os moradores, já foi como hoje é a Avenida Paraná, uma das vias mais movimentadas da cidade. Além de interessados pela história do bairro, quem mora na Vila Nova garante que o lugar é habitado por grandes famílias, que se multiplicaram e foram ficando, simplesmente por gostar demais de morar ali.
A amizade e a solidariedade são algumas das características que marcam o bairro. O aposentado Valdemar Lopes, morador de Vila Nova desde 1946, brinca que o nome do lugar não existe oficialmente. ''Na verdade o nome Vila Nova passou a existir porque foi o segundo bairro a aparecer na cidade. Para explicar onde moravam, as pessoas diziam 'lá na vila nova', que tinha acabado de surgir'', comenta, sorrindo.
Além de muita amizade, quem vive na Vila Nova não tem do que reclamar. O bairro, que conta com uma população de cerca de 10 mil pessoas, tem tudo por perto. Farmácias, posto de saúde, supermercados, postos de combustíveis, além de uma sede do Corpo de Bombeiros e da Polícia Federal de Londrina.
Uma das principais atrações do bairro é o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, uma extensão da igreja localizada em Aparecida do Norte (SP). A paróquia existe no bairro desde 1952 e passou a ser santuário no ano de 1997, quando o arcebispo de Londrina, na época, dom Albano Cavalin, enviou um ofício à matriz solicitando que a igreja fosse transformada em santuário. Com isso, o local passou a ser considerado um ponto de peregrinação, conversão e oração, onde as pessoas podem pagar suas promessas, assim como em Aparecida do Norte.
O presidente da Associação de Moradores da Vila Nova, Alberto dos Santos, diz que os moradores são ''bastante satisfeitos com as condições do bairro''. Segundo ele, quem vive na Vila Nova, não vai embora. ''Tenho uma mercearia há mais de dez anos e os amigos são os mesmos até hoje. Muitos até acabaram se mudando para outros lugares mas todo fim de semana vem para cá para rever os amigos'', comentou.
A solidariedade do bairro sobra até para os animais que aparecem pelas ruas. É o caso de um cãozinho chamado Bile, abandonado há cerca de três anos por uma família que deixou a Vila Nova. Ele foi imediatamente adotado pelos moradores. Um deles é o aposentado Nelson Pedrini, que chegou na Vila Nova em 1945, quando as ruas eram ''só barro''. Morador da mesma casa desde aquela época, hoje ele é um dos maiores amigos de Bile. ''A gente chama ele de Bile, mas ele tem um monte de nomes: Batoré, Pitoco... Todo mundo cuida. Quando ele não dorme aqui em casa, dorme na casa do vizinho'', comenta.
Uma das famílias que passa mais tempo com Bile é a da enfermeira Janaina de Souza, que mora próximo a Unidade Básica de Saúde da Vila Nova. ''É uma característica nossa aqui do bairro. Todos somos muito solidários. Temos amigos que moram aqui que são médicos, dentistas, e quando precisamos, estão sempre de prontidão. O Bile faz parte da nossa vida. Ele é adorado por todos e a gente cuida dele com muito carinho. Acho que por isso ele nunca quis ir embora, mesmo passando tanto tempo na rua'', conclui.

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