A solidariedade bate o martelo
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Reportagem Local 
Todos os dias, desde que o ano de 2011 começou, dona Laura Ferreira de Souza guardou uma moeda. Em outubro ela doou um cofre pesando mais de cinco quilos para o Leilão Aravet, promovido todos os anos pelo curso de Medicina Veterinária da Unopar para ajudar o Hospital do Câncer de Londrina. Aos 70 anos de idade, essa mulher simples, moradora de Faxinal (Norte), é um dos muitos exemplos de solidariedade que emocionam os alunos e voluntários que organizam o evento, que acontece neste sábado, 22 de outubro, ao meio-dia, no Parque Governador Ney Braga, em Londrina.
Esta é a sexta edição do Leilão Solidário Aravet, que começou quase que por acaso. ''Todos os anos nós realizamos um ciclo de palestras chamado Aravet e sempre servimos um lanche entre uma palestra e outra.
Em 2006, como sobraram muitas bolachas servidas no lanche durante o ciclo de palestras chamado Aravet, os alunos resolveram doar para o Hospital do Câncer. Eles ficaram comovidos ao ver as necessidades que o hospital e resolveram fazer alguma coisa para ajudar. Foi assim que nasceu a ideia do primeiro leilão.''
Os alunos formados passaram a idéia para a turma de quarto ano e a solidariedade se encarregou de contagiar um número de voluntários que aumenta ano a ano. Um deles é Azarias Joaquim da Rosa, seo Azarias, um pequeno agricultor de Faxinal que se tornou o maior arrecadador de doações para o Leilão Aravet.
Em 2006, o filho dele, Cesar Augusto, estudava Veterinária na Unopar e pediu uma bezerra para doar para o leilão. ''Eu perguntei se ele tinha ficado louco. Então eu tinha que pagar mensalidade e ainda doar bezerro para a universidade? Quando ele me disse que o leilão era para o Hospital do Câncer, eu não só doei a bezerra como arrumei outros 12 animais com amigos meus. No ano seguinte eu consegui 32 animais; no outro ano, foram 86 animais. Eu nunca mais parei. Ano passado contabilizei 125 animais e para este ano já confirmei 132'', diz seo Azarias.
O filho se formou mas seo Azarias nem pensa em parar. Ele faz parte da comissão permanente que organiza o leilão: ''Eu fiz um compromisso com Deus que enquanto eu for vivo, vou trabalhar por essa causa'', confessa. ''A gente não pensa no que vai ganhar com isso.''
A causa do seo Azarias também anima os quatro alunos do curso que estão à frente do leilão este ano. Kelly Bertassoni mora em Londrina, Murilo Saiki é de Uraí, Monize Godoy vive em Andirá e Denis Rossi em Sertanópolis. Desde abril eles viajam de casa para o campus da Unopar em Arapongas e de lá para Faxinal e fazendas da região, correndo atrás de patrocínio e de doações.
Para o diretor do hospital, Nelson Dequech, o leilão não traz só dinheiro: ''É emocionante ver a juventude aderindo à nossa causa'', diz ele.


