Delegacia de Trânsito e 5º Distrito Policial (DP), na Zona Norte de Londrina. Sozinhos, cada um desses órgãos já daria trabalho suficiente para um delegado se ocupar durante um dia inteiro. Mas além de se responsabilizar por ambos, o delegado Aparecido Antonio Gregorio ainda cuida do setor de Cartas Precatórias e faz plantões semanais na 10 Subdivisão Policial (SDP).
''Essa jornada prejudica o trabalho, porque você vai somatizando, não consegue mais parar pra pensar. E a Polícia Civil requer muita inteligência, não é um trabalho de força. Se você não tiver a possibilidade de descanso, o rendimento acaba caindo'', diz o delegado, cuja equipe, na Delegacia de Trânsito, é formada por um escrivão e dois investigadores.
Para tentar dar conta de todas as funções, Gregório passa o dia correndo de um lado para outro. Quando está no 5º DP, anota informações do Trânsito por telefone e vice-versa. ''A gente não tem sossego, porque distrito onde há preso tem problema todo dia. E às vezes você vai atender uma ocorrência e já é avisado sobre outra, mas não dá para estar em dois lugares ao mesmo tempo'', exaspera-se.
Já o titular da delegacia do Adolescente de Londrina, Jayme José de Souza Filho, sustenta que a situação nas unidades especializadas não é ideal, mas também não chega a ser desesperadora. Souza Filho trabalha com um investigador, um escrivão e um gerente administrativo. ''A situação pior está nos distritos. Aqui, nem é possível o trabalho se acumular, porque com adolescentes você tem que ser rápido: faz o flagrante, toma o depoimento e já apresenta para o Ministério Público (MP)'', explica.
À frente de uma das delegacias mais ''movimentadas'' da cidade, Souza Filho ainda faz plantão na 10 SDP uma vez por semana. No dia seguinte a um plantão, recebe uma folga e tem que ser substituído por outro delegado. Além do grande número de casos recebidos diariamente, a equipe reduzida ainda tem que lidar com as peculiaridades do trabalho com adolescentes: procurar as famílias ou até levá-los em casa, por exemplo.
O delegado do Grupo Especializado de Combate ao Narcotráfico, João Aquino, concorda com Souza Filho ao dizer que a situação das delegacias especializadas não é tão ruim quanto a dos DPs, mas admite que o combate ao uso e tráfico de drogas ''precisa ser maior e seria bem mais eficaz com mais gente trabalhando''. O Gecon tem um escrivão e três investigadores. (V.N.)

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