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segunda-feira, 06 de outubro de 2014
Reportagem Local 
Londrina - O câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que novos casos da doença devem ter chegado próximo a 1,67 milhão em 2012. A previsão do instituto é que em 2014 apareçam 57.120 novos casos da neoplasia no Brasil.
A doença é preocupante e tem crescido ano a ano. Se diagnosticada e tratada oportunamente, o prognóstico é bom. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente.
Segundo orientação do Inca, as formas mais eficazes para a detecção precoce do câncer de mama são o exame clínico e a mamografia. O exame clínico de mamas, indica o instituto, pode detectar tumor de até 1 centímetro, se superficial, e quando realizado por médico ou enfermeira treinados. Já a mamografia permite a detecção precoce do câncer, ao mostrar lesões em fase inicial e muito pequenas.
"A mamografia deve ser feita por todas as mulheres, independente de sintomas mamários, a partir dos 40 anos e de forma anual", afirma a médica Linei Urban, coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Ela reforça que este é um método de rastreamento bastante eficiente da doença, que ajuda a detectar precocemente a neoplasia e com isso melhorar o tratamento.
A mamografia é um exame simples, apesar de causar certo incômodo para a paciente, mas que deve ser feito por profissionais preparados que possam conduzir o procedimento de forma adequada para evitar problemas com o diagnóstico.
Segundo a médica radiologista Maria Angélica Bernardes Moura, da MP Diagnósticos em Londrina, entre as indicações para a realização do exame está o bom posicionamento da paciente, para que a imagem seja a mais precisa possível. "Às vezes é necessário uma incidência adicional, ou seja, outro posicionamento", observa a médica.
Além disso, acrescenta ela, a elaboração do laudo segue critérios, como a classificação BI-RADS (sigla em inglês para Breast Image Reporting and Data System), nome de um sistema padronizado, criado nos Estados Unidos, utilizado para uniformizar os relatos de radiologia quando se analisam as imagens de mamografia. O objetivo do sistema é padronizar os laudos de mamografia, utilizando termos conhecidos, evitando interpretações confusas e ajudando em uma conclusão mais objetiva.
COMPLEMENTARES
Ainda assim, em alguns casos, a paciente precisa refazer o exame ou realizar procedimentos complementares, como a ultrassonografia e a ressonância magnética de mama, para se chegar o mais próximo do diagnóstico correto. "Quando indicamos que a mamografia seja refeita ou complementada, não significa que a paciente esteja com a doença. A intenção é buscar um aprofundamento do diagnóstico", analisa Maria Angélica, observando que o exame pode variar conforme a anatomia da mulher, a idade, o tamanho da mama, entre outras questões.
Às vezes, acrescenta a médica Linei Urban, o exame não tem qualidade suficiente para o diagnóstico, gerando a necessidade de repetição e provocando ansiedade da paciente. Mas refazer ou complementar a mamografia faz parte da avaliação normal e não deveria causar ansiedade nas pacientes.
Ambas pontuam que a tecnologia tem colaborado para a realização dos exames e o diagnóstico mais preciso e aproximado do câncer. Com o mamógrafo digital é possível avaliar a lesão com mais nitidez. "Hoje se faz a análise do exame pelo computador, com tela de alta resolução, própria para a mama, que oferece resolução melhor e com mais nitidez", descreve Maria Angélica, lembrando que a MP conta com mamógrafo digital há quase dois anos. A mamografia digital, acrescenta Linei, é uma evolução e entre as vantagens permite o armazenamento das imagens em arquivo digital, melhor visualização da mama com diferentes contrastes, melhorando o diagnóstico.
E conclui que a ultrassonografia é um exame complementar à mamografia, utilizado principalmente nas pacientes com mamas densas ou com achados inconclusivos na mamografia. Já a ressonância é reservada para o rastreamento das pacientes de alto risco, estadiamento de tumores já diagnosticados ou avaliação de achados inconclusivos na mamografia e na ultrassonografia.
RISCO
Alguns fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama, segundo o Inca, são bem conhecidos, como: envelhecimento, fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, história familiar de câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, sedentarismo, exposição à radiação ionizante e alta densidade do tecido mamário (razão entre o tecido glandular e o tecido adiposo da mama).
Amamentação, prática de atividade física e alimentação saudável com a manutenção do peso corporal estão associadas a um menor risco de desenvolver esse tipo de câncer. Cerca de 30% dos casos de câncer de mama, conforme informações do Inca, podem ser evitados por medidas como uma alimentação saudável, prática de atividade física regular e manutenção do peso ideal.


