No meio dos meninos e meninas da Zona Azul, Lucimar Freira da Silva, de 40 anos, poderia até ser chamada de ''senhora'' mas ela prefere apenas ''Lu''. ''Quando comecei a trabalhar aqui, alguns meninos faziam brincadeiras, mas hoje já me enturmei e gosto de todo mundo'', conta, risonha. Entre os cerca de 200 orientadores de trânsito, ela é a única que já passou dos 20 anos.
Em abril desta ano, ela foi levar um currículo da filha, que tentava uma vaga na Zona Azul. Como quem não quer nada, perguntou: ''E eu, não posso trabalhar aí?''. Podia, era só deixar o próprio currículo. E assim ela fez conseguindo a vaga antes da filha, inclusive.
No começo, Lucimar não esconde que se atrapalhava toda. ''Eu me perdia, mas aos poucos fui aprendendo e hoje adoro o que eu faço'', conta, entre uma risada e outra. Ela revela que, nas ruas, às vezes é confundida com a ''garotada'', mas quando o motorista olha direito, se torna mais respeitoso.''Tem muita gente legal, mas tem mal-educados também''.
Diretamente acompanhando o trânsito da cidade, ela analisa: ''É péssimo. Tem muitas pessoas que não sabem estacionar e acabam encostando no carro dos outros. Aí só dá confusão. Imagina se não tivesse tivesse a Zona Azul'', conclui, puxando a sardinha para a própria brasa.
Mãe de quatro filhas e duas netas, ela conta que são os dois salários dela - Lucimar também presta serviços gerais numa escola - e da filha, que hoje também trabalha na Zona Azul, que sustentam a família. ''Somos nós que sustentamos a Casa das Sete Mulheres''.(Colaborou Guilherme Borges)

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