A semana de Isabel
-Domingo, dia 23 Isabel começa a sentir dor de cabeça e tonturas. O médico da Unidade de Saúde do Parque das Indústrias diagnostica amigdalite receita a aplicação de Benzetacil e o remédio AAS. Isabel é impedida pela irmã de tomar o AAS: seu uso pode mascarar o diagnóstico de dengue.
-Segunda-feira, dia 24 Isabel continua mal, e tem vômitos à noite. É atendida por um médico no Hospital Zona Sul. Diagnóstico: desidratação. Receita: soro e dipirona.
-Quarta-feira, dia 26 Isabel sente muita tontura, fraqueza, não consegue se alimentar, sente dores abdominais. Retorna ao Zona Sul. Um auxiliar garante que o exame do laço, que identifica dengue hemorrágica, será feito. É atendida pelo mesmo médico, que receita novamente soro e dipirona.
-Sexta-feira, dia 28 Acorda muito mal, com intensas dores abdominais. Mal consegue falar e não consegue andar. A mãe chama o médico do posto de saúde, o mesmo que atendeu Isabel no domingo. Ele chega com uma enfermeira, que tira a pressão. O médico chama uma ambulância. Isabel volta ao hospital Zona Sul.
-É feito o hemograma, que aponta 58 mil plaquetas por mm3 de sangue. O normal são 200 mil plaquetas. A pressão é tão baixa que não pode ser medida ou escutada. Um médico, o terceiro que examina a paciente durante a semana, pergunta se Isabel não está com a menstruação atrasada.
-A equipe de auxiliares e enfermeiros começa a cogitar o quadro de dengue hemorrágica. O médico não acredita na hipótese. Após as 18 horas, um novo médico plantonista, o quarto que examina Isabel, mostra-se alarmado com o estado da paciente. Às 19h30, Isabel morre no Hospital Zona Sul, com parada cardíaca.
Fonte: depoimento de Cláudia Fidelix Ramos Martins, irmã de Isabel, ao MP.





