É fato que o furto dos quadros de Candido Portinari (''O Lavrador de Café'') e de Pablo Picasso (''O Retrato de Suzanne Bloch'') do Museu de Arte de São Paulo (Masp), em dezembro de 2007, fez aumentar a preocupação em relação à proteção que obras de arte recebem dos museus de todo o País. Resta saber se a recuperação das telas não vai esfriar a discussão. Em Londrina, o Museu de Arte dispõe de aparato tecnológico para guardar as obras. Já no Museu Histórico Padre Carlos Weiss, a segurança é feita por vigilantes.
O furto e roubo de objetos de arte pode até parecer raro mas, segundo dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), até o final do ano passado quase mil peças tinham sido levadas de diversos museus brasileiros. O levantamento não havia computado ainda as obras levadas do museu paulistano, avaliadas em cerca de R$ 100 milhões, que foram recuperadas nesta semana.
Há cerca de um mês, o Iphan lançou campanha em rede nacional alertando sobre obras culturais furtadas e roubadas e pedindo ajuda da população para tentar recuperá-las. Além disso, o Instituto quer investir este ano pelo menos R$ 5 milhões na melhoria dos sistemas de segurança e de armazenamento de vários museus.
Prestes a completar 15 anos de história, o Museu de Arte de Londrina nunca registrou furtos ou roubos mas a diretora, Sandra Jóia, admite que a região que rodeia o prédio ''é problemática''. Ela citou nominalmente a Praça Rocha Pombo como um ponto de alerta em razão da concentração de vendedores e usuários de drogas, punguistas e outros tipos marginais.
Segundo a diretora, o Museu tem um expressivo acervo e reserva técnica de cerca de 400 obras formado por artistas regionais e outros reconhecidos nacional e internacionalmente. As mais valorizadas - como por exemplo as dos locais Letícia Faria e Paulo Menten e dos nacionais Poti Lazaroto, Caribé, Juarez Machado, Carlos Scliar, Siron Franco, entre outros - ficam protegidas numa sala climatizada monitorada por câmera e inacessível ao público. As salas de exposição também são protegidas por câmeras e sensores de movimento. Dois funcionários permanecem na entrada principal, observando o público. Depois que o museu fecha, uma empresa particular se encarrega da segurança. Do lado de fora, uma câmera da Polícia Militar flagra o movimento da rua.
A escultora alemã radicada em Rolândia, Tita Stremlow, que expõe atualmente suas figuras em madeira no Museu de Arte, disse que se sente tranquila com a proteção oferecida. ''Sinto que tem segurança. Sempre tem alguém observando'', comentou a artista.
Já no Museu Histórico, que exalta a memória de famílias que ajudaram a colonizar Londrina e região, a segurança é feita por vigilantes mantidos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) nos períodos diurno e noturno. No prédio estão guardados mais de 4,5 mil objetos, 60 mil fotografias e cerca de 150 mil documentos. Um desses ítens era uma caneta pena de ouro da marca Sheaffer que pertenceu a David Dequêch, um dos fundadores da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). O objeto sumiu do cenário dedicado ao pioneiro provavelmente em 2003 - a informação foi divulgada em 2007 - e nunca mais foi encontrado.
A diretora do Museu, a professora do Departamento de Educação Física Débora Beatriz Martins, lembrou que está em tramitação desde 2006 um projeto para ampliação da segurança no prédio que prevê instalação de circuito interno de TV e detectores de fumaça. Ela frisou que não existem peças de grande valor financeiro mas que é importante melhorar a vigilância porque''o museu é quem guarda a história de Londrina e a população tem um carinho muito grande por ele''.

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