'A saúde tem sido caso de polícia'
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
''Que a saúde se difunda sobre a terra!'' é o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema ''Fraternidade e saúde pública''. Na manhã de ontem, durante coletiva de imprensa, dom Orlando Brandes, arcebispo da Arquidiocese de Londrina, criticou o poder público pela forma como vem tratando a saúde. Ele ressaltou a importância do artigo 196 da Constituição Federal que preconiza a saúde como direito de todos e dever do Estado.
Para o arcebispo, o fato de a população ter pedido através de abaixo-assinados que o tema seja tratado na campanha é um sinal de que é preciso envolver a coletividade. ''A saúde não está bem, ela teve progressos, melhorias, a própria Igreja tem colaborado, talvez até mais do que os governos. Por exemplo, na diminuição da mortalidade infantil, graças à Pastoral da Criança e pastorais sociais. Não que o governo não faça, mas a Igreja faz mais. Não é um assunto teórico. Damos um grande exemplo'', pontuou.
Dom Orlando ressaltou também que um dos objetivos da campanha é dizer à comunidade que ela tem a grande chance de colaborar, não esperar só as autoridades. ''A corrupção é um dos maiores problemas, porque os desvios de verba acontecem em todos os lugares, falta ética na política. Esses desvios das finanças da saúde são mais graves do que todos porque morremos de tantas coisas, mas principalmente desse pecado social que é o desvio desse dinheiro ou o uso dele para outras finalidades e não da saúde.''
Conscientização
Segundo dom Orlando, a população é manipulada pelos poderes. ''Já temos os dados, estamos trabalhando o assunto. Precisamos de maior diálogo com os vereadores e nos fazer mais presentes no campo da educação e também no da denúncia. Se não conscientizarmos as pessoas, as coisas continuarão do mesmo jeito.''
Dom Albano Cavalin, arcebispo emérito da Arquidiocese, concorda que a conscientização é fundamental. ''São cinco mil paróquias no Brasil discutindo o assunto durante a Quaresma. O manual da campanha irá para crianças, jovens, adultos. Não é só jogar para as autoridades, cada um deve fazer a sua parte.''
O padre Jaime Botero Gallo classificou como um caos o quadro da saúde no município, elencando diversos problemas: hospitais que fecharam as portas, falta de leitos, Prontos Atendimentos superlotados, carência de médicos, peregrinação entre postos e hospitais em busca de atendimento, fila de espera de até dois anos para cirurgias eletivas.
''A Saúde tem sido caso de polícia, com denúncias de corrupção no setor. Ainda se diz que vão ser construídos novos postos, sendo que na grande maioria não há nem médicos para atender, muitos foram remanejados para atender nas unidades de emergência. Não venham dizer que está tudo bem, que estão trabalhando. Estão trabalhando sim, mas com amadorismo.''
O religioso também criticou os médicos que não cumprem com suas obrigações e chegam atrasados a plantões, a transferência de dinheiro da saúde para outras áreas e a falta de comprometimento dos políticos. ''Observamos que a falta desses serviços essenciais ocorre mais por corrupção, amadorismo, má-gestão e falta de vergonha na cara. Falta caridade para com os pobres.''
A abertura oficial da Campanha da Fraternidade em Londrina será em 22 de fevereiro, durante missa das 11 horas na Catedral.
Ouça trechos da entrevista do padre Jaime Botero Gallo:


