A saúde que começa cedo, e pela boca
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quarta-feira, 29 de março de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Numa pequena sala de recepção, no andar superior da Supercreche (Centro de Londrina), encontramos um ambiente simples, com brinquedos esparramados pelo chão e crianças que aguardam, distraídas, o atendimento odontológico. A Bebê Clínica, que este ano completa 20 anos de atividades, não é muito mais do que isso em termos físicos. Em outra ala, salas para a reunião com os pais, equipamentos para atender os pequenos pacientes, além de setores para exames e arquivos de documentos.
Mas é nestas pequenas salas que se desenvolve um enorme trabalho de prevenção de cáries. As atividades iniciaram com a percepção de um grupo de dentistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que recebia os pacientes já com problemas dentários. Surgiu então a idéia de desenvolver um projeto de saúde bucal para as crianças. ''Foi uma idéia simples, que foi se aprimorando com o passar do tempo'', explica o atual diretor da Bebê Clínica, Antônio Ferelle.
Ele lembra que no começo houve resistência, já que se tratava de um projeto para tratar dos dentes de quem ainda nem tinha dentes. ''O bebê não tem dente, mas futuramente terá. Se tiver uma prevenção com cuidados higiênicos desde o começo, o índice de cárie vai ser menor'', ressalta. A idéia deu certo. e o trabalho foi ganhando corpo.
Hoje, o trabalho de oito docentes é referência em todo o Brasil e em outros 12 países. O serviço se espalhou em função dos bons resultados. Londrina tem um dos melhores índices de saúde bucal do País, com menos de um dente cariado ou restaurado para cada criança de 12 anos, segundo dados da Secretaria de Saúde do Município. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza até dois dentes cariados, perdidos ou obturados (CPOD) aos 12 anos.
Além disso, mais de 64% de crianças com cinco anos não têm cárie. Dos atendimentos específicos da Bebê Clínica, mais de 90% das crianças entre cinco e seis anos não possuem nenhuma cárie. Mas o trabalho não está restrito à clínica. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) já prestam o serviço, garantindo a qualidade da saúde bucal nas crianças em vários bairros. ''É um trabalho que foi se ramificando e crescendo''.
Em média, 70 crianças passam pela clínica todos os dias. O serviço especializado inclui também atendimento à crianças especiais. Hoje, 18 mil pacientes estão inscritos na Bebê Clínica e mais de 8 mil atendimentos são feitos no pronto-socorro.
As dificuldades existem e são superadas com parcerias. No final do ano passado, a doação de R$ 1 milhão do governo estadual para o curso de Odontologia da UEL garantiu a compra de um aparelho de ar-condicionado e equipamentos para um consultório. A nova sala estará pronta até o mês de julho. Também com a ajuda de doações, a Bebê Clínica adquiriu um computador e uma máquina digital. ''Apesar de algumas dificuldades normais, conseguimos manter o trabalho com um excelente padrão''.
Este ano, a Bebê Clínica oferece também cursos para a primeira turma de residência em odontopediatria e especialização em odontopediatria, que já existe há 3 anos. ''Com recursos vindos desses cursos, conseguimos manter o funcionamento adequado'', afirmou Ferelle.


