Érika Pelegrino
De Londrina
Criado num sítio em Ibiúna, interior de São Paulo, o fisioterapeuta que trabalha com os princípios da acupuntura há quase 20 anos, Kazuyuki Kawakami, 51 anos, conhecido como Caio, talvez tenha trazido do contato direto com a natureza durante a sua infância a preocupação com o equilíbrio do organismo – integração de mente e corpo, como afirma.
Nascido no Japão, ele passou parte da infância em seu país natal, onde os pais eram agricultores. Antes da Segunda Guerra Mundial um tio veio para o Brasil e depois de uns seis anos passou a escrever para o irmão, pai de Caio, comentando que a terra do Brasil era melhor para a lavoura que a do Japão.
‘‘A decisão de mudar de país foi um negócio do meu pai. A família não queria. Não tínhamos noção do que era o Brasil’’, afirma. Em 1959, Caio, mudou-se com os pais e dois irmãos mais novos. A adaptação foi dura para o garoto de apenas 11 anos. ‘‘Tudo era diferente: a linguagem, os hábitos, a alimentação’’, lembra. Passaram-se mais de três anos até que Caio começasse a sentir-se mais adaptado. ‘‘Neste período eu já dominava melhor o idioma e era possível comunicar-me mais facilmente.’’
Em 1970, Caio foi para São Paulo estudar. Decidiu fazer o curso de Fisioterapia, como ele mesmo diz, para cuidar de si e não dos outros. Ele sofre de um problema de coluna congênito. Durante o curso entrou em contato com casos de pacientes de Acidente Vascular Cerebral (AVC) que ficaram emeplégicos (apenas uma parte do corpo é paralisada).
‘‘Comecei a questionar o que acontecia com o organismo nestes casos e qual o melhor meio para equilibrar todas as energias: orgânica, física e mental.’’ A busca por estas respostas o levaram a entrar em contato com a acupuntura. Comprou livros e começou a estudar a técnica e seus princípios, enquanto concluía a faculdade.
Formou-se na PUCC de Campinas (SP) em 1978, mas já envolvido pela acupuntura em 1980 voltou ao Japão, para fazer estágio. Quando voltou ao Brasil, fez mais dois anos e meio de estágio complementar na área e começou a trabalhar em São Paulo, com massagem e acupuntura.
Em 1989 conheceu Paulo Sakurai, dono do Instituto Sakurai, em Londrina, e Caio comentou que estava esperando uma oportunidade para sair da capital. ‘‘Eu queria sair de São Paulo principalmente pela convivência com minha filha, que na época tinha um ano e meio. Quando eu saía de casa de manhã ela ainda estava dormindo; quando voltava à noite ela já estava dormindo.’’
Caio foi convidado para vir a Londrina, onde há 10 anos trabalha com massagem e acupuntura, desenvolvendo a sua prática de equilibrar o orgânico de acordo com o meio ambiente. Ele explica que existem em nosso corpo 58 meridianos principais, que passam por todos os órgãos e através dos quais a energia de nosso corpo circula.
A energia entra em desequilíbrio com a interferência de diversos fatores, segundo o acupunturista. Entre eles está o meio ambiente, tanto em seu aspecto físico (calor, frio, umidade) quanto energético. Caio explica que os aparelhos eletrônicos e elétricos criam um campo eletromagnético no meio ambiente. Como o nosso corpo também produz esta energia, ele ‘‘luta’’ o tempo todo para se manter em equilíbrio.
‘‘É como uma pessoa em pé tentando não cair enquanto outra a empurra.’’ Como é impossível nos dias atuais fugir destas interferências ambientais, além da massagem e acupuntura Caio dá algumas dicas de como a pessoa pode manter seu organismo em equilíbrio através de exercícios como Yoga e Tai Chi Chuan, meditação, contato com a natureza e alimentação correta.
No caso dos exercícios, a aeróbica não é aconselhada. O acupunturista explica que em toda ação onde exite a intenção de movimentar determinada parte do corpo, há a canalização da energia para esta parte. Na aeróbica os movimentos são repetitivos, tornam-se automáticos e não exigem concentração da pessoa.
Quanto à meditação, na opinião de Caio o mesmo estado de serenidade e calma que ajudam a pessoa a manter corpo e mente integrados e em equilíbrio é conquistado por pessoas que costumam fazer orações em estado de concentração. Ele compara o organismo a um balde cheio de água. ‘‘Quando o carrregamos de um lado para outro a água fica agitada; quando deixamos o balde parado a água se acalma, fica parada.’’
Caio acredita que a natureza também pode ajudar o ser humano a reequilibrar seu organismo e cita uma experiência realizada no Japão por um engenheiro mecânico, com plantas. Foram colocados elétrodos em árvores que transformavam a corrente elétrica normal das plantas em som. Descobriu-se que determinada árvore emitia a mesma frequência que uma outra que estava mais distante.
A leitura que o engenhiro mecânico fez foi de que as árvores estariam se comunicando. Outro exemplo, citado por Caio, com base na experiência do engenheiro mecânico, é de um grupo de árvores que começa a emitir a mesma frequência de uma árvore ‘‘machucada’’, que teve um galho quebrado depois de uma forte ventania, ‘‘como que para ajudá-la a se recuperar’’.
‘‘Será então que a natureza também não interfere no nosso organismo ajudando-o a se manter em equilíbrio?’’, pergunta. ‘‘O homem esqueceu que faz parte da natureza e destrói tudo’’, complementa. Quanto mais consciência o indivíduo tiver de seu corpo e de como estes fatores externos podem interferir nele, mais consiguirá manter-se em equilíbrio. ‘‘Costumo dizer que o terapeuta é apenas um auxiliar, a mudança mesmo vai ocorrer através da conscientização da pessoa’’, afirma.
Tanto a origem dos problemas quanto o tempo em que se consegue manter o organismo em equilíbrio irão depender de cada pessoa, segundo Caio. ‘‘Algumas pessoas lidam bem com as emoções e sentimentos do coração, mas não lidam bem com as situações impostas pelo ambiente de trabalho. Outras se dão melhor no trabalho, mas não sabem administrar suas emoções. Tem aquelas que são muito vulneráveis às influências do meio ambiente físico e não conseguem lidar nem com o trabalho nem com as emoções do coração. Tudo depende de cada pessoa’’, afirma.
Apenas pegando o pulso do paciente, Caio detecta qual o meridiano que precisa ser mais trabalhado – onde a energia está mais desequilibrada. A partir daí são feitos os procedimentos adequados à cada pessoa, mas sempre tendo em vista a necessidade de uma mudança de postura de vida.
‘‘É comum pessoas reclamarem da falta de tempo por terem muitas coisas para fazer – trabalho, filhos, marido, casa. Eu costumo dizer que para fazer todas estas coisas é preciso ter saúde. Primeiro nós temos que cuidar de nós mesmos, para depois cuidar dos outros.’’

PERFIL
Nome: Kazuyuki Kawakami
Idade: 51 anos
Profissão: fisioterapeuta
Particularidade: busca do equilíbrio corpo e mente, trabalhando com princípios da acupuntura

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