A Santa Casa passa o chapéu
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Da Sucursal
Kraw PenasCriatividadeEduardo Vizinone, da Umuarama: campanha para a Santa Casa de CuritibaA situação do Hospital de Clínicas é apenas a face momentaneamente mais aparente de uma crise que atinge todos os hospitais públicos e filantrópicos. Igualados nas dificuldades, eles têm recorrido à mesma fórmula para amenizar os problemas: a colaboração da comunidade.
Há quatro meses a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba utiliza a televisão e os jornais para pedir essa colaboração. A campanha usa um tom dramático. Nos anúncios para jornais aparece a foto de um cadáver coberto por um pano com a frase: Por três dias ele esteve entre a vida e a morte, até que nosso crédito na praça esgotou. A campanha impressa foi criada pelo publicitário Eduardo Vizinone, da agência Umuarama. Já num dos filmes para televisão, um grupo de freiras ensaia passos de dança, enquanto o locutor diz: A Santa Casa não sabe mais o que fazer para conseguir dinheiro.
O provedor da Santa Casa, Ary de Christan, diz que a dramaticidade reflete a situação do hospital, que tem R$ 1,5 milhão para receber do SUS, ao qual destina 70% dos seus 246 leitos. A dívida da Santa Casa, segundo ele, é de R$ 2 milhões, contraídos com equipes médicas que trabalham no hospital e alguns fornecedores. Temos feito malabarismos para superar a crise, afirma o provedor.
Segundo ele, as campanhas para arrecadação de fundos têm ajudado a suprir algumas carências, mas não tiveram o resultado esperado. Christan diz que não tem um balanço da arrecadação, mas que as doações por telefone não chegaram a R$ 100 mil.
Para realizar o projeto de transferir o hospital para o bairro do Campo Comprido, a Santa Casa vai usar o sistema de permuta. A idéia é que a empresa vencedora fique com o terreno onde atualmente funciona o hospital e, em troca, construa outro.


