A saída: comprar aparelho e manter pacientes vivos
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quinta-feira, 14 de agosto de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Dorico da SilvaVagas escassasCTI do Evangélico, ontem pela manhã: encaminhamento de pacientes de outras cidades agrava problema localO Conselho Municipal de Saúde deve estudar, na semana que vem, a proposta dos três maiores hospitais de Londrina para tentar amenizar a crise da superlotação nos Centros de Terapia Intensiva (CTIs). A idéia do Hospital Evangélico, encampada pela Santa Casa e Hospital Universitário, é que o Conselho use o dinheiro do Fundo Municipal da Saúde para compra de 12 respiradores. A idéia será levada à próxima reunião da entidade, que acontece na terça-feira à noite, na Supercreche (centro). Cada equipamento custa entre 25 mil e 30 mil dólares.
Na opinião do diretor-clínico do Evangélico, Lauro Vargas, a idéia de comprar os respiradores e distribui-los entre os hospitais foi a única proposta realmente concreta tirada da reunião entre lideranças municipais e estaduais sobre a lotação nas CTIs, realizada na última sexta-feira, no auditório da 17ª Regional de Saúde.
Ele explica que, com o reforço dos novos respiradores, os hospitais teriam uma maneira paliativa para manter os pacientes graves vivos até que se abram as vagas nas CTIs. Ele concorda que algumas resoluções tomadas na reunião de sexta-feira podem ajudar a amenizar o problema, mas não acredita que elas resolverão a crise da falta de leitos nas CTIs. Uma destas resoluções é agilizar a utilização da Central de Leitos de Londrina para evitar que pacientes de outras regionais sejam transferidos para a Cidade. Agora, quando um hospital da região pede para transferir um paciente, ele deve mandar um fax com o diganóstico ou pré-diagnóstico do estado do doente.
Uma das justificativas dos representantes da Autarquia do Serviço Municipal de Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde para não se instalar mais leitos de CTIs na Cidade é que a 17ª RS oferece o maior número de vagas destas unidades intensivas no norte do Estado.
Eu entendo que a regional de Londrina oferece mais leitos de CTIs que as outras regionais. Mas os nossos leitos não estão dando para atender com dignidade a realidade de Londrina, lembra o diretor-clínico do HE.
Na opinião dele, os setores organizados da sociedade, como os clubes de serviço e Câmara de Vereadores, deveriam se empenhar em uma campanha para exigir do governo estadual a ampliação do número de vagas para CTIs nos hospitais públicos da Cidade. Será que eles vão esperar acontecer o pior para depois se manifestar, dispara o médico. Será que eles só vão se motivar depois que alguém morrer?
Ontem, todos os leitos da CTI do Evangélico estavam lotados. Na Central de Leitos de Londrina (que gerencia os leitos hospitalares da Cidade) a informação era que ontem pela manhã não estava disponível nenhum dos 89 leitos das Centrais de Terapia Intensiva da Santa Casa, Evangélico, HU e Hospital Infantil.
O coordenador da Central de Leitos, Gerson Aparecido Cavallari confirmou que anteontem um paciente em estado grave, que estava internado no Hospital da Zona Norte, teve que ser transferido para a CTI de um hospital de Apucarana. Segundo ele, a crise de falta de vagas nas CTIs começou a se agravar há uns 40 dias.


