A saga dos avá-guarani
-1982 - Estudos realizados por Itaipu mostram que a reserva Jacutinga-Ocoí, com 1.500 hectares, ocupada pelos avá-guarani, seria inundada com a formação do reservatório da usina. No mesmo ano, funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) incendeiam as choças (habitações) dos índios para forçá-los a sair da área.
-1983 - Itaipu assenta provisoriamente a tribo em uma gleba de 230 hectares, batizada pelos índios de Ocoí, em São Miguel do Iguaçu (a 45 quilômetros do local original). A área é pequena demais. Muitos índios se tornam bóias-frias; outros morrem ao consumir água contaminada por agrotóxicos.
-1984 - Começa a preocupação das autoridades com a dissolução cultural dos índios em decorrência dessa situação. Itaipu encomenda estudo para esclarecer a origem étnica da tribo. O antropólogo Edgard de Carvalho constata que os avá-guarani formam um subgrupo dos avá-chiripá.
-Junho de 95 - Cansada de viver espremida, parte da comunidade ocupa o Refúgio Biológico Bela Vista, pertencente à Itaipu. Batizam a área de Paraná-Porã. Como o local é protegido por lei, não podem caçar e nem derrubar árvores.
-Novembro de 96 - Catorze anos após o alagamento da reserva original, Itaipu anuncia a compra de uma fazenda para o reassentamento da tribo.
-18 de abril de 97 - Na véspera do Dia do Índio, os avá-guarani são finalmente transferidos para a reserva definitiva, com 1.744 hectares, entre os municípios de Diamante do Oeste e Ramilândia (a 110 quilômetros de Foz do Iguaçu). A área, conhecida como Fazenda Padroeira, é rebatizada pelos índios de Tekoha-A¤etete (a aldeia verdadeira, em guarani).





