A rua que tomou o lugar do colonhão e do café
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quarta-feira, 09 de abril de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Um rua com poucas quadras, delimitadas pelos pés de café e pelo colonhão. Assim era a Rua Albert Einstein, há 30 anos. Localizada na Vila Industrial (Zona Oeste de Londrina), começa na Avenida Arthur Thomas e termina na Rua Waldomiro Fernandes. De pronúncia complicada, nem todos sabem falar o nome do famoso cientista e tampouco sabem quem ele foi. Hoje a rua é referência no bairro, larga e de mão dupla, com vários estabelecimentos comerciais, como açougue, farmácia, bares, lojas de usados e oficina mecânica, entre outros, mas sem perder o jeito de rua de bairro. Entre um comércio e outros ficam as casas, algumas de madeira ainda, bem antigas, outras de alvenaria, novas e bonitas.
Geraldo de Oliveira Muniz e a esposa Elídia Azelisqui Muniz moram na mesma rua desde 1960. Eles se recordam quando tudo ainda era de terra, o colonhão estava a poucos metros da porta de casa e os pés de café também faziam parte da paisagem. Com o tempo a rua foi crescendo, o mato deu lugar às casas, chegou o asfalto e com ele a falta de sossego. Morador próximo a uma lanchonete, eles se queixam do barulho que vai até tarde da noite. Mesmo assim, acham que a rua é boa, ''tem muito comércio perto'', o que facilita as compras do dia-a-dia. A antiga casa de madeira deu lugar a uma confortável casa de alvenaria, no amplo terreno, do qual Geraldo não pensa em se desfazer: ''A casa é da gente, não tenho vontade de sair.''
Outra moradora antiga é Dina Pizi de Lima, 71. Ela não se lembra de quando mudou para o bairro, calcula uns 30 anos, mas lembra que também tinha o mato na porta de casa. ''Quando nos mudamos aqui tinha poucas casas, a rua era de terra, quase não tinha movimento e as casas ainda eram de madeira. O Pinheiros (bairro vizinho) era todo café'', recorda. Ela conta que o quintal era cheio de pés de frutas e que na porta da cozinha passava uma trilha que dava acesso à rua de cima. ''As pessoas não queriam dar a volta e passavam por dentro do meu quintal. Quando chovia escorria uma lamaceira pela trilha.''
A casa antiga também deu lugar a uma confortável casa de alvenaria, que ela divide com um dos filhos. Dina não pensa em se mudar, pois nos fundos da casa um dos filhos fez uma edícula onde mora com a esposa. Na esquina, mora a família de outro filho. ''Acho que nem me acostumo mais em outro lugar.''


