Algumas ruas da cidade foram feitas para distanciar as pessoas. São as grandes avenidas, que priorizam o tráfego rápido e intenso. Outras, nasceram para aproximar os moradores. É o caso da Rua Mitsuge Ohara, no Conjunto do Café (Zona Sul), que de tão estreita não comporta dois carros ao mesmo tempo - para um passar, o outro tem que subir na calçada. Coisas de uma época em que a vida não dependia tanto dos veículos motorizados.
''Os mais antigos dizem que quando o bairro foi criado os moradores só tinham carroça'', afirma o contador aposentado Henrique da Silva Neto, que se mudou para a rua com a família há cinco anos. Antes a família morava no Centro, e foi atraída pela tranquilidade que caracteriza a pequena via. ''O único problema é que os carros têm que ficar sempre sobre as calçadas. Às vezes acontece de um caminhão precisar passar e ter um carro impedindo. Até mudarmos para cá, nunca tínhamos visto ruas tão estreitas aqui em Londrina'', diz Silva Neto.
A mulher do aposentado, Eunice Garcia da Silva, revela que o endereço é um dos mais tranquilos para morar, e brinca: ''Pelo menos aqui nunca tem perigo de congestionamentos...'' O casal revela que no começo estranhou as características do novo endereço, mas agora não o trocam por outro: ''É bem gostoso morar aqui'', diz Eunice.
A atendente de idoso Alexandrina Martinelli, que mora há 19 anos na pequena rua, diz que ''é 10'' morar ali. ''Aqui quase não passa carro, é muito bom. Também não passa ônibus, mas tem ponto nas ruas aqui perto. Além disso, tem tudo o que a gente precisa na região: supermercado, farmácia, hospital.''
Segundo Helvécio Adil Segantin, gerente regional do escritório local da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), responsável pela construção do Conjunto do Café, o projeto foi concluído 1968 e foi inspirado em modelo europeu de construir vilas operárias nas proximidades das indústrias. No caso, a vila tinha o objetivo de abrigar os operários do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC). ''Eram pequenos lotes, com pequenas casas e ruas estreitas. O modelo foi adotado no Brasil inteiro, mas só no período de 1966 a 69.'' A discreta Mitsuge Ohara nasceu, portanto, sem muito alarde, em plena ditadura militar, e chegou aos 40 sem demonstrar a idade: ali, a sensação é de que o tempo parou.

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