A forma de se vestir, falar e se comportar em determinadas situações diz muito sobre uma pessoa. No caso das cidades, são as ruas que traduzem a forma de viver de seus moradores, a presença ou não de planejamento, a atenção dispensada pelos administradores públicos. Por isso, a partir desta edição, e durante todo o ano de 2008, a FOLHA vai trazer alguns exemplos de vias que ajudam a contar a história da cidade e seus moradores. A rua que abre a série é especial, não pela sua importância comercial ou extensão, mas pela riqueza de cores e perfumes.
Para quem não conhece, a Rua Estados Unidos (Jardim Igapó, Zona Sul) é uma grata surpresa. Ela em nada lembra a potência que dá origem ao seu nome: tem poucos quarteirões, casas simples, é calçada por paralelepípedos, tem como limites a Inglaterra e a Bélgica. Em compensação, é cortada por um belo jardim. Destes que pouco se vê hoje em dia, com rosas - muitas, de diversas variedades - reinando absolutas.
A responsável pela paisagem vista da janela de cada morador é a dona de casa Lúcia Lopes Mansera, que há quase 10 anos resolveu trocar o mato que tomava conta do canteiro central por flores. ''Alguns deram a sugestão de plantar pés de café, mas eu disse que queria roseiras. As primeiras mudas eu tirei do meu jardim. Hoje são mais de 40 pés'', conta, orgulhosa, a habitante do número 54 da Estados Unidos com Paquistão. Na casa simples que ela e o marido foram nm imprimindo suas marcas, porém, a família vive distante das preocupações típicas dos dois países, como ataques terroristas e a temida presença dos talibãs.
Lúcia e o marido, o motorista Manoel Galvi Mansera, não se imaginam habitando outra rua da cidade. ''Quando mudamos para cá, a maioria dos moradores era de funcionários da prefeitura, e não tinha quase nada nas redondezas. Mexemos bastante na casa e plantamos tudo que tem no jardim. Hoje nem pensamos em mudar daqui'', garante Mansera.
Sorte dos outros moradores, que vêem sua rua se transformar em ponto turístico. Dias atrás um grupo de visitantes cariocas passou um bom tempo por ali, maravilhado, deixando-se fotografar entre as rosas. Lúcia assistiu a tudo orgulhosa. Ou, como prefere dizer, ''feliz da vida'' de ver as flores da Estados Unidos fazerem tanto sucesso.
Se você quiser contar a história da sua rua, ou sugerir que a FOLHA visite uma delas, pode nos contactar através do email: [email protected] ou pelo telefone (43) 3374-2177.

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