A Rua Piauí, localizada no Centro de Londrina, guarda peculiaridades que muitas vezes passam despercebidas às centenas - quem sabe milhares - de pessoas que transitam diariamente por ela. Comercial à primeira vista, é também endereço residencial das famílias que moram nos muitos edifícios localizados na via.
Por isso, apesar de possuir apenas dez quadras entre a Rua Mato Grosso e a Avenida Juscelino Kubitschek, a Piauí concentra dez Códigos de Endereçamento Postal para uso dos Correios, o chamado CEP.
De mão única, é interrompida pelo Bosque entre as ruas São Paulo e Rio de Janeiro, obrigando os motoristas a fazerem uma considerável volta para conseguirem percorrê-la em toda a extensão. Os pedestres, ao contrário, encontram no local uma boa alternativa para cortar caminho e chegar mais rápido ao destino. O que não os exime de fazer manobras complicadas, dado o volume de sujeira de pombas espalhado pelo chão.
Batizada com o nome de um estado nordestino, a Piauí é dona de algumas das esquinas mais tradicionais de Londrina. No cruzamento com a Rio de Janeiro estão a agência central dos Correios e a sede da FOLHA DE LONDRINA. Duas quadras abaixo, na João Cândido, fica a Sercomtel. E um pouco adiante, os colégios Hugo Simas e Aplicação.
A rua também abriga a Concha Acústica, onde ocorrem frequentes apresentações artísticas que modificam a paisagem do Centro. É na Concha, também, que as crianças dos apartamentos da região encontram um oásis para jogar bola, andar de bicicleta e fazer amigos para outras birncadeiras.
A dona-de-casa Ione Pereira Fernandes, de 80 anos, mora há duas décadas na Rua Piauí. Residindo no Centro há 38 anos, ela gosta do endereço por causa do fácil acesso a ônibus e pelas facilidades ofertadas pela região, como a presença de muitas farmácias e supermercados. O barulho causado pelo movimento de carros e pessoas não a incomoda. ''Pelo contrário, eu até gosto de saber que tem gente por perto'', diz ela, que utiliza o Bosque para fazer caminhadas na pista chamada de ''Zerinho''.
Pessoas como dona Ione fazem parte da clientela do taxista Vicente Geraldo Dias, 70, que trabalha há 29 anos no ponto em frente a agência dos Correios. ''A maioria dos clientes é de mais idade'', conta ele, que já fazia expediente no local quando o Bosque era cortado pelo terminal de ônibus urbano. ''Antes era mais bagunçado, porque a rua 'ia e voltava'. Depois transformaram em mão única e ficou melhor.''
Muita gente não percebe, mas Vicente e os colegas taxistas são os responsáveis pelo sustento dos moradores mais inusitados da Rua Piauí. Diariamente, eles dão água e alimentam a família de galinhas que habita o Bosque, em pleno Centro de Londrina. Essas aves, ao contrário dos humanos, não temem a sujeira das pombas e os assaltantes que agem no local. Levam uma vida pacata à sombra de árvores centenárias, assustando-se apenas com a ameaça constante dos gambás à procura de ovos.

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