Dentro da série sobre as ruas de Londrina, esta repórter pede licença ao leitor para escrever sobre a rua onde viveu 27 anos de sua vida (em três casas diferentes, aliás). A Rua Clevelândia começa na Humberto de Campos e termina na Ibiporã, em um bairro cujas ruas têm nomes de cidades paranaenses, na Zona Oeste da cidade. Acima, fica a Rebouças, onde a criançada ia comprar balas e consertar a bicicleta, enquanto os homens se reuniam nos botecos para beber e jogar truco, sinuca e bocha. Acima da Rebouças, há a Avenida Maringá.
Assim como em tantas outras ruas da cidade, na Clevelândia de antigamente os vizinhos conversavam no portão, e as crianças, verdadeiras 'donas do pedaço', brincavam de pega-pega, esconde-esconde, mãe-da-rua, bola-queimada e betz - sempre no meio da rua. Na época, eram muito raros os carros que interrompiam a brincadeira, para alívio das mães.
Uma feliz coincidência fez com que, na década de 1980, a rua tivesse cerca de 15 crianças, inclusive um Marcelo, um Marcelinho, um Marcelus e um Marcelão, que era da Rua Rolândia, mas brincava junto.
Nos finais de semana, o tio Zezinho (neto do fotógrafo e pioneiro José Juliani) gritava do quintal de sua casa: ''Vamos à piscina'', e em menos de dez minutos lá iam ele e mais umas oito crianças a pé para a Acel, que ficava a 500 metros dali.
Outra lembrança feliz daquela época é a fábrica de balas que ficava na travessa Clevelândia, onde a meninada gostava de fazer visitas para ver o processo de produção dos doces e, ao final, ganhar algumas ''amostras grátis''.
A fábrica fechou, a criançada cresceu, alguns mudaram-se e a Rua Clevelândia passou a ter tardes mais vazias. Em nome da segurança, foram construídos muros e portões altos. Em nome do crescimento da cidade, surgiram prédios, de onde vez ou outra se vê sair ou entrar uma criança. Aquele clima de vizinhança de cidade do interior deu lugar à compromissada vida moderna, em que falta tempo para conversar amenidades. E a Clevelândia virou apenas mais uma rua, em um processo que já havia modificado antes tantas outras ruas de Londrina.
Porém, devido a esse mesmo crescimento da cidade, regiões que naquela época eram desabitadas foram urbanizadas, com novas ruas, novos moradores. Assim, outras clevelândias cheias de crianças continuam surgindo cidade afora - até que esses pequenos também cresçam junto com Londrina.

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