Imagem ilustrativa da imagem A revolução das pessoas comuns
| Foto: Rubem Vital



No elevador, encontro o médico, salvador de muitas vidas:
- Tudo bem, doutor?
- Tudo bem. Só esperando o domingo pra essa angústia acabar...

Não foi preciso dizer mais nada.

Converso com D. Renata, também angustiada com a situação do nosso país. Católica, mãe de cinco filhos, todos formados e bem-sucedidos, ela é voluntária na campanha de um dos candidatos à Presidência da República. O problema é que um de seus filhos ameaçou romper relações com quem revelasse o voto no referido candidato. No primeiro turno, ela escondeu sua preferência do filho esquerdista. No segundo turno, pretende revelá-la, mas não quer perder o amor nem a amizade do filho. Quase todos nós temos um caso assim na família, e qual é a saída? Talvez fazer como faria São José: continuar amando, mesmo em silêncio.

Converso com Rubem, talentoso fotógrafo de nossa cidade. Com sua câmera, ele está registrando os acontecimentos históricos que temos vivido nos últimos dias, a belíssima revolução democrática brasileira. (A imagem que ilustra a coluna de hoje é dele.) Quando revelou sua opção de voto nesta eleição, Rubem passou a ser duramente criticado por algumas pessoas, inclusive colegas de profissão. Rubem, eu sei o que você está sentindo. Há 15 anos sou criticado pelos mesmos motivos. Perdi alguns amigos por causa da política, mas ganhei outros. Os verdadeiros permanecem. Aconteça o que acontecer, continue usando o seu talento para retratar a realidade que está diante dos nossos olhos.

Converso com Ana, juíza de direito. Ao mesmo tempo em que espera uma efetiva mudança de rumos no País, ela se preocupa com a perseguição sofrida por colegas depois da Operação Lava Jato. "Se aquele partido ganhar as eleições, será o fim do Poder Judiciário. Não estou dizendo do STF, esse continuará, higidamente aparelhado, firme no compadrio. Eu me refiro ao juizeco de piso, daquele que determina a prisão do bandido, que dá a liminar para garantir um tratamento de câncer, do que acolhe uma criança em situação de risco..."

Converso com Sônia, uma das mais qualificadas psicólogas de Londrina. Conversar com a Sônia é fazer uma expedição pelo mundo da cultura, da mitologia, da inteligência e da cordialidade. Ela também fez a sua opção política, por entender que o país necessita de mudanças profundas. Convidei-a a conhecer dois grupos que buscam a resgate da nossa cultura: o Clube do Livro e a Casa da Tolerância UEL. Também a Sônia tem enfrentado a incompreensão de algumas pessoas quanto à sua preferência política, preocupa-se com o aparelhamento das instituições e conselhos, mas está esperançosa com a onda democrática em todo o Brasil. "Paulo, há muitos anos eu esperava por uma conversa como esta..."

Estive conversando com Renata, com Rubem, com Sônia, com Ana, com o porteiro, com a diarista, com a manicure, com o professor, com o médico, com o advogado, com o dentista, com o jogador de futebol, com as crianças... E quase todos eles dizem a mesma coisa: a hora chegou.

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