A redescoberta do ''El Dourado'' paranaense
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Marian Trigueiros<BR> Reportagem Local 
Telêmaco Borba - Uma estrada de terra de 40 quilômetros, um trecho de barro em que só passam caminhonetes com tração nas quatro rodas, e mais uma trilha em mata fechada cheia de barrancos escorregadios é o que separa a cidade de Telêmaco Borba à margem do Rio Tibagi onde estão algumas das balsas de produção de diamantes Uma aventura e tanto presenteada com um cenário bucólico, que ainda guarda muitos mistérios sobre o assunto
Chegar ao local de destino não é tarefa fácil, porém, mais difícil continua sendo o trabalho dos garimpeiros, que, apesar da tecnologia das balsas, ainda mergulham por horas e horas atrás pedras de diamantes pequenas no tamanho e grandiosas no valor financeiro Nestes locais, os ''caçadores de pedras'' chegam a ficar até 15 dias seguidos sem voltar para casa Não há um cadastro ou número oficial, estima-se, contudo, que existam, pelo menos, cerca de vinte plataformas distribuídas ao longo de toda a extensão do rio Ao visualizar a área num programa com imagens de satélite, é possível ver várias delas Se todas têm autorização, já é uma outra história
A exploração no Rio Tibagi não é recente Data do século 18 e já atraiu garimpeiros de todos os cantos do país por muitas décadas Mas, somente agora o Estado começa realmente a ganhar visibilidade e despertar curiosidade em pesquisadores de fora do Paraná Tanto que, recentemente, durante uma semana a cidade de Tibagi foi palco da quinta edição do Simpósio Brasileiro de Geologia do Diamante Neste período, a comunidade científica discutiu sobre as novas descobertas e o potencial diamantífero da região
De acordo com Eleonora Vasconcellos, diretora do Núcleo Paraná da Sociedade Brasileira de Geologia, entre as pesquisas estão os estudos direcionadas para saber a origem do diamante do Tibagi ''O mapeamento geológico é importante para definir qual a relação dos diferentes tipos de rocha e minerais com os diamantes Ou seja, pelas rochas e fragmentos que são extraídas na exploração, podemos avaliar por onde o rio passou e até mesmo de onde vem o diamante'', explica a doutora em Petrologia
Enquanto cientistas desvendam a origem das pedras, há a espera de que os dados se tornam fundamentais na otimização do trabalho de exploração ''Se descobrirmos onde é a fonte, há possibilidade de encontrar uma quantidade muito maior de diamantes, sem a necessidade de dragar vários locais aleatoriamente Mas tudo isso depende do interesse e de investimentos em estudos, seja pelas indústrias ou órgãos de pesquisa ''


