Coalhada, broas de centeio, tortas tradicionais, especiarias, panelas de ferro fundido ou chapéus. Nem mesmo mudanças significativas como a abertura das importações, a invasão dos shopping centers ou o surgimento das lojas que vendem tudo por R$ 1,99 conseguem roubar o espaço de casas tradicionais de Curitiba. Empresas geralmente familiares que empregam gerações apostam na qualidade superior dos produtos e na venda de artigos raros para garantir a clientela. Independente do ramo, têm um princípio comum: atendimento personalizado para assegurar a satisfação dos clientes.
Kraw PenasUm dos atuais donos da loja, Mário Fernando Glaser, entre panelas e ferramentas: plano é construir moderno edifício de 22 andares, preservando a casa original, que tem características de 1914Os atuais proprietários desses estabelecimentos - muitos deles netos e até bisnetos dos fundadores - seguem receitas tradicionais à risca ou mantêm fornecedores para não sucumbir ao tempo. Eles também apostam na qualidade, mesmo quando se trata do desenvolvimento de novos produtos, para conquistar consumidores.
Kraw PenasEspecializada no conserto de relógios cuco, a Relojoaria Raeder, trabalha desde 1895. Hoje, é dirigida por Carl Raeder, 87 anos, filho do fundadorA América Padaria, fundada em 1913, mudou de endereço duas vezes, passou a oferecer produtos encontrados nas panificadoras para driblar a concorrência - como pães de hamburguer e minipães - e deixou de entregar a domicílio com o crescimento da cidade. Apesar das modificações para se adequar ao mercado, a clientela é garantida. Muitos atravessam a cidade para saborear especialidades como as broas de centeio e integral, doces como de goiabada com castanha e de banana e outros produtos de origem alemã.
Kraw PenasA Casa Edith resiste bravamente ao tempo. A loja vende roupas masculinas de boa qualidade, mas muitos compradores são atraídos pela especialidade da casa: os chapéus
Segundo a gerente da padaria, Andréa Engelhardt - bisneta do fundador -, as campeãs de venda ainda são as broas. Outra preferência é a torta alemã Aída, montada em camadas, com creme amanteigado, nozes e chocolate ralado. ‘‘A seleção dos ingredientes e a receita original conservam clientes antigos e cativam novos’’, afirma. Hoje, além de Andréa, trabalham na padaria o pai dela, dois irmãos e o avô, Evaldo Engelhardt, 80 anos, que sempre que pode supervisiona a produção. ‘‘O mais importante é lembrar que o cliente tem sempre razão. Nós não mandamos nada’’, diz ele.
Kraw PenasGarçons que trabalham na casa há 30 anos já conhecem o gosto de cada um dos clientes da Confeitaria Schaffer, como Wanda Fernandes, 69 anos, e Regina Araújo, 62 anos. Elas frequentam a casa desde crianças e não são exceção entre os frequentadores: sempre que podem, param para tomar uma coalhadaOutros locais da cidade que resistem ao tempo são a Casa Edith, fundada em 1879. A loja vende roupas masculinas de boa qualidade, mas muitos compradores são atraídos pela especialidade da casa: os chapéus. O Café da Boca, na Rua XV de Novembro, continua sendo ponto de encontro de políticos e intelectuais. Caminhando algumas quadras, chega-se à Confeitaria das Famílias, que desde 1945 seduz com seus doces e salgados. O balcão e as mesas cheias todas as tardes são a maior prova de que nem mesmo as maiores novidades são suficientes para derrubar a tradição. Kraw PenasCom a fachada revitalizada, mantendo as mesmas características de 1879, a Casa Edith sempre esteve na Praça Generoso Marques, centro da cidade. Lá, tudo é tradição: desde o espaço físico até os produtos oferecidos, que não se encontram em outros estabelecimentos

Kraw PenasA empresária Roselinda Braca mora no Champagnat e toda a semana vai até o centro exclusivamente para comprar broas e frios da Padaria América, de onde é cliente há 30 anos. ‘‘Aqui tudo é bom. A qualidade não mudou e o atendimento é especial.’’Marcelo AlmeidaMariluz e Edluz Schier assumiram a Selaria Tito Schier, criada pelo pai em 1944. A loja nunca perdeu a clientela, mas hoje vive novos tempos, com o ‘revival’ da moda countryAndrea VendraminiCoalhada e broa de centeio. Panela de ferro fundido ou um chapéu Pana má... Um café na Boca Maldita, em meio a fofocas maledicente s. O char me dos pontos tra dicionais da cidade resiste ao tempo. E nada rouba o es paço das lojas tradiciona is, que se mantêm há décadas

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