Na ausência de atendimento profissional, o sentimento de desamparo entre as famílias é inevitável. Até porque, para elas, o problema não termina quando o familiar é enterrado, mas sim começa a partir dali. ‘‘Freud dizia que o processo de enlutamento não é só resolver a perda da pessoa, mas resolver tudo o que se perdeu com ela, como sonhos, projetos e desejos. Por isso não é possível passar de uma forma tranquila por uma situação como esta. O chorar, o sofrer, o desespero, a raiva, fazem parte do processo e têm que ser vivenciados. A psicoterapia pode dar a oportunidade para que isso aconteça’’, ressalta a professora Letícia Passos de Melo Sarzedas, da Unifil.
Segundo a diretora de ações em saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Bruna Maria Petrillo, não existe um serviço específico para assistência às famílias que enfrentam perdas para a violência. Porém, ela informa que o município mantém dez Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasfs) que funcionam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Como a demanda por atendimentos é muito grande, o papel dos Nasfs é ajudar na capacitação dos demais profissionais e qualificar o atendimento nas UBSs, para aumentar a resolutividade. Em casos mais graves e emergenciais, de acordo com Bruna, a própria equipe do Nasf – formada por educador físico, fisioterapeuta, farmacêutico, psicólogo e nutricionista – pode prestar atendimento. (S.L.)

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