Sabendo da série de roubos, o agricultor José Batista Barbosa já tinha certeza de que seu sítio de 20 alqueires estava na lista dos ladrões, dias antes de ser ''visitado'' pelos bandidos.
''Como eles já tinham entrado nos vizinhos, eu sabia que seria o próximo. Todo mundo por aqui já falava isso'', diz o agricultor. E não deu outra. Em meados de março o crime aconteceu.
Os bandidos chegaram de mansinho, engatinhando pelo meio da plantação de soja, que fica próxima à casa do agricultor, e renderam toda a família. De repente, ele viu sua esposa, as duas filhas e um filho na mira das armas de homens encapuzados.
''Consegui manter a calma e facilitei as coisas para eles. Tudo o que eu queria era que fossem embora logo''. Como nos outros casos, os ladrões reviraram tudo e pediam por armas. Barbosa não tinha nenhuma. Antes de fugirem com diversos pertences e o carro do agricultor, que até hoje não foi encontrado, os ladrões ainda jantaram na casa e aconselharam, ironicamente, que o agricultor se mudasse para um apartamento na cidade, pois ali no sítio não tinha muita segurança.
Barbosa diz que não tem muita esperança de que a segurança pública melhore. Ele se apóia na fé para que sua família esteja sempre protegida. ''A tendência da criminalidade é só piorar. O trabalhador rural precisa confiar sempre em Deus e pedir proteção'', prega.
Ele finaliza dizendo que, assim como todos sabiam que sua vez de ser assaltado logo chegaria, agora também é possível saber qual propriedade é a próxima da lista. ''Aqui na minha residência e também em outras, os bandidos falaram diversas vezes de uma casa com características bem peculiares, que está em uma fazenda aqui perto. Deve ser a próxima'', prevê.(W.S.)

mockup