Cascavel As dificuldades em conseguir um bom trabalho estão levando a cada dia um maior número de mulheres a vender seu corpo para colocar um pouco de dinheiro dentro de casa. E o que mais preocupa é que essas mulheres, em muitos casos, ainda são adolescentes ou mesmo meninas que deveriam estar na escola, mas estão nas ruas se prostituindo.
Esse é o caso de Veruska (nome fictício), que aos 17 anos pode ser encontrada todos os dias em uma das esquinas da avenida Tancredo Neves, em Cascavel. Como muitas outras, ela diz que decidiu se prostituir porque não consegue um emprego digno para sobreviver. Os pais que moram numa pequena cidade da região nem imaginam a forma que a filha leva a vida. Eles acreditam que ela trabalha como doméstica.
Veruska conta que dentro da ''profissão'' existe uma concorrência muito grande, e que as mais velhas criam muitas dificuldades para as novatas. Elas não querem ceder seu ponto, por medo de perderem os clientes cativos. A adolescente diz que além da concorrência com as outras meninas, existe também o problema com os cafetões. Elas são obrigadas a pagar uma taxa para eles para atuarem em determinado local.
Em pouco mais de seis meses trabalhando como prostituta, Veruska fala que já passou muito medo. Ela nem gosta de lembrar dos homens com os quais se deitou que quiseram lhe obrigar a fazer coisas que não queria. Em um dos casos, além de ser agredida pelo cliente, a jovem ficou no prejuízo, já que não recebeu pelo programa. ''E o chefe não quer nem saber, quer o dinheiro'', reclama falando do cafetão.
Por mais que pareça estranho, Veruska afirma que mais de 70% de seus clientes são homens casados, que insatisfeitos sexualmente a procuram na tentativa de preencher a lacuna existente no casamento. Ela completa que alguns são muito generosos e lhe pagam o dobro do que cobra normalmente. Quando o assunto é dinheiro, ela tenta mudar a conversa, mas com muita insistência reconhece que ganha quase mil reais por mês nas ruas.
Mesmo ganhando um bom salário, quando se leva em consideração a média da população brasileira, Veruska garante que pretende abandonar a vida das ruas. Como outras meninas de sua idade, ela sonha em conhecer seu príncipe encantado com quem terá lindos filhos e uma família feliz. Como sonhar não custa nada, Veruska continua vendendo o corpo enquanto ele não vira realidade.

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