É bem ver­da­de que ­eles pen­sa­ram em vi­rar as cos­tas e vol­tar pa­ra Ara­pon­gas (37 km a Oes­te de Lon­dri­na) na pri­mei­ra vez que de­sem­bar­ca­ram em Por­to Ve­lho, há se­te ­anos. O ca­lor era o que ­mais as­sus­ta­va. No en­tan­to, Ale­xan­dro Mer­ci, 27 ­anos, e Mar­cia An­dréia Pin­to, 32, re­sol­ve­ram apos­tar na ca­pi­tal que mos­tra­va só­li­dos si­nais de de­sen­vol­vi­men­to, com edi­fí­cios re­si­den­ciais sur­gin­do aos pa­res. Na épo­ca, as fi­lhas ado­les­cen­tes Jés­si­ca, 17, e Bru­na, 14, ain­da ­eram crian­ças.
  O ca­sal tro­cou um em­pre­go em um mer­ca­do de Ara­pon­gas por ­boas co­lo­ca­ções na Fa­cul­da­de de Ciên­cias Ad­mi­nis­tra­ti­vas e de Tec­no­lo­gia (Fa­tec) de Ron­dô­nia. Mar­cia co­me­çou co­mo au­xi­liar de bi­blio­te­ca. Ho­je, é pro­fes­so­ra uni­ver­si­tá­ria. Ale­xan­dro é téc­ni­co de in­for­má­ti­ca. ‘‘No co­me­ço não foi na­da fá­cil. Só tem um tio meu em Por­to Ve­lho, o res­tan­te da fa­mí­lia es­tá no Pa­ra­ná. Mas ho­je não pen­sa­mos em ­sair ­daqui’’, re­la­ta Mar­cia.
A ho­ra do re­mé­dio
  Chi­ne­los de de­dos nos pés, cha­péu na ca­be­ça, jei­to tran­qui­lo. Aos 89 ­anos de ida­de, Joa­quim Go­mes Fer­rei­ra en­ca­ra com pra­zer, ao la­do da es­po­sa, An­to­nie­ta Fer­rei­ra, 83, a via­gem até Ja­ru, ci­da­de de Ron­dô­nia a ­mais de 2,5 mil km de Lon­dri­na.
  Foi em 1975, o ano da gea­da ne­gra que di­zi­mou os ca­fe­zais do Pa­ra­ná, que o ca­sal re­sol­veu ru­mar pa­ra Ron­dô­nia. ‘‘Fi­cou di­fí­cil pa­ra o plan­ta­dor pe­que­no no Pa­ra­ná, ­pois tu­do pas­sou a ser to­ca­do no ­maquinário’’, con­ta o agri­cul­tor, que ven­deu a pro­prie­da­de de 3,5 al­quei­res em Bor­ra­zó­po­lis (84 km ao sul de Apu­ca­ra­na) pa­ra ir vi­ver no Nor­te do Bra­sil.
  Dos ­três fi­lhos, ­dois vi­vem com o ca­sal em Ja­ru, on­de to­do mun­do en­con­trou sus­ten­to far­to. Só uma fi­lha fi­cou no Pa­ra­ná, obri­gan­do Joa­quim e An­to­nie­ta a pe­gar a es­tra­da to­do ano, com a mu­lher lem­bran­do o ma­ri­do dos re­mé­dios de ho­ra em ho­ra den­tro do ôni­bus. ‘‘Ho­je é tu­do mui­to bom, tem con­for­to. Não me can­sa ­viajar’’, diz Joa­quim, re­fe­rin­do-se ao ar-con­di­cio­na­do e às pol­tro­nas que re­cli­nam.  (W.S.)

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