À PRÓPRIA SORTE - País não garante abrigo para seus idosos
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sábado, 28 de maio de 2011
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Já há algum tempo o Brasil deixou de ser um país eminentemente jovem. Dos 190,7 milhões de habitantes levantados no último Censo do IBGE, mais de 20 milhões são idosos (10,5% da população). O problema é que, mais uma vez, o Governo não acompanhou o ritmo das transformações. O resultado disso é que, hoje, a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais conta com um número insignificante de instituições públicas para abrigá-los quando se veem diante da impossibilidade de viver junto da família. A constatação faz parte de pesquisa divulgada na última semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De acordo com o estudo, o País tem apenas 218 asilos públicos. A maioria (65,2%) das chamadas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) existentes é mantida por redes filantrópicas. A rede pública ou mista é responsável por apenas 6,6%. O número de instituições privadas, a que mais cresce no país, já está em 28,2% do total.
A pesquisa ainda apontou que pelo menos 83,8 mil idosos vivem em ILPIs. Segundo a pesquisadora Ana Amélia Camarano, responsável pelo levantamento, o número pode ultrapassar os 97 mil, considerando pessoas com menos de 60 anos nessas instituições. Ainda assim, 91% dos municípios não têm um local apropriado para abrigar seus idosos.
Na avaliação da pesquisadora do Ipea, o poder público tem sido omisso em relação ao assunto. O governo avançou muito na garantia de uma renda mínima para a população idosa, e a Constituição de 1988 mostra isso. Mas do ponto de vista de cuidados, ele ainda deixa com a família essa responsabilidade, e quando a família se mostra incapaz de cuidar, ela é vilanizada, completa Ana Amélia.
O estudo sugere que o governo crie alternativas intermediárias de cuidados e que isso seja considerado nas políticas públicas para o cuidador familiar. Nenhum país do mundo tem condição de oferecer abrigo para toda sua população de dependentes. Mas o governo pode e deve e ajudar o cuidador familiar. Como acontece em casos de pessoas que cuidaram do pai a vida toda, não trabalharam e, por isso, não têm Previdência Social. Então, é preciso que elas tenham um benefício monetário e sejam incluídas na seguridade social.
No Paraná o índice de população idosa é similar ao restante do País. De acordo com os últimos dados do IBGE, dos 10,5 milhões de habitantes, pouco mais de um milhão têm 60 anos ou mais (10,3% da população). Para se ter uma ideia do crescimento desta faixa etária, em 1991 a população de idosos representava 6,8% da população total do Estado.


