Curitiba - Cansada de se envolver com pessoas interessadas em relacionamentos descartáveis, o famoso ‘‘ficar’’, a engenheira química Maria Luiza (nome fictício), de 30 anos, procurou uma agência de casamentos de Curitiba para encontrar um parceiro com o mesmo objetivo que o seu: namoro sério e até o matrimônio. ‘‘Eu queria estabilidade, uma pessoa com a qual eu pudesse fazer planos, que cuidasse de mim. Nas baladas você não encontra ninguém com esse perfil. As pessoas se beijam e até dormem juntas, mas sem compromisso’’, disse ela.
  Maria Luiza se cadastrou, no meio deste ano, seguindo o conselho da sua mãe, já que a vida profissional corrida, com muitas viagens, não permitia que ela dedicasse tanto tempo na busca por um companheiro. ‘‘Sem falar que em barzinhos e boate eu não iria encontrar o perfil de pessoa que eu procurava, com o mesmo nível sócio-econômico e cultural que o meu’’, conta Maria Luiza, que já encontrou sua cara metade, um engenheiro de 34 anos, com quem pensa se casar em breve.
  Ao contrário do que alguns imaginam, as pessoas que procuram agências de casamento não são tímidas ou inseguras. Justamente para desmistificar o perfil de quem procura este tipo de serviço é que um grupo de estudantes de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizou uma pesquisa comparando as diferenças de relacionamento entre pessoas cadastradas e não-cadastradas em agências de casamento.
  E o que se verificou foi exatamente o contrário do senso comum. As pessoas agenciadas têm o objetivo claro na busca pelo parceiro e desejam pular o processo de ambivalências desta procura. Querem encontrar o companheiro o mais rápido possível e para isso estabelecem as características do par ideal, muito bem detalhadas, para aumentar a possibilidade de serem flechados pelo cupido. ‘‘Não houve diferenças significativas. Acho até que as agenciadas estão mais aptas a se engajar na busca direta por um compromisso’’, disse a estudante de Psicologia e pesquisadora Cláudia Tucunduva.
  A pesquisa foi realizada neste ano, com 226 curitibanos, todos com mais de 18 anos e sem relacionamento estável. Destes, 131 eram cadastrados em agência de casamento e o restante não-credenciado (de mesmo nível socio-econômico) – que funcionou como grupo de controle. O questionário e o inventário foram aplicados pela própria agência de casamento. Os não-credenciados responderam via-email ou direto com os pesquisadores.
  A proposta da pesquisa era provar se as pessoas que buscam agências são mais tímidas, inseguras e pouco sociáveis do que aquelas que mantêm relacionamentos tradicionais. ‘‘Não são pessoas com desvio de personalidade’’, afirmou a professora Lídia Weber, cordenadora do estudo.
  A segunda diferença encontrada foi quanto ao estilo de amor. As pessoas inscritas em agências de casamento apresentam um perfil de amor mais pragmático e objetivo (Pragma), e menos romântico e mágico, que acredita no amor à primeira vista (Eros), comum aos não-agenciados. ‘‘Especula-se que as aqueles que procuram agências possuem variáveis psicológicas diferentes. Na verdade, elas enxergam como o caminho mais rápido para chegar ao casamento’’, reforça a docente, informando que a avaliação feita pelos pesquisadoras foi estatística e objetiva.

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