Quando o casal Walter e Hildegard Von Borster, de Cascavel (Oeste), recebeu a notícia sobre a morte da filha Mariana, de 26 anos, não pensou na hipótese de doar os órgãos. ''Fomos comunicados por um equipe do hospital e decidimos autorizar a doação, mesmo não tendo conversado sobre isso com minha filha. Na hora, foi a única coisa confortante que nos aconteceu, pois ficamos emocionados em saber que estaríamos ajudando muitas pessoas'', diz.
O coração de Mariana foi enviado para a Santa Casa de Londrina no dia 28 de dezembro e deu nova vida a um homem de 52 anos, de Cambé (Norte), que passa bem e deverá receber alta nos próximos dias.
Essa história é uma de muitas outras que são possíveis através da conscientização da sociedade e pelo trabalho das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), lançadas pelo governo do Estado no dia 13 de dezembro de 2010, no aniversário de 15 anos da Central de Transplantes. Durante todo esse período, a Central registrou mais de 13 mil transplantes, sendo 1.199 só no ano passado. De acordo com as últimas estatísticas, o Paraná registrou um aumento de 62% nos procedimentos realizados entre 2000 e 2010.
''A Central ainda está fazendo um treinamento com as OPOs, passando todas as normativas, mas mesmo que esta seja uma fase de aprendizagem, já foi registrado um aumento importante. As doações efetivas, que no mês de outubro e novembro foram 8, no último mês subiram para 12'', aponta Arlene Badoch, coordenadora da Central Estadual de Transplante e das políticas de transplante no Paraná.
Implantadas em hospitais ou nas Regionais de Saúde, as OPOs são formadas por uma equipe de um médico, seis enfermeiros e dois técnicos administrativos e são responsáveis pela identificação de possíveis doadores de órgãos e tecidos e na manutenção destes doadores até que o órgão seja retirado. Eles também fazem o contato com a família do doador.
''Mas este não é um trabalho isolado. As OPOs têm a missão de exercer atividades em conjunto com as comissões intrahospitalares de doações de órgãos e tecidos, que já fazem toda a campanha de esclarecimento, divulgação e apoio de informações dentro dos hospitais'', explica.
No Paraná, já estão em funcionamento cinco OPOs localizadas em Cascavel, Londrina, Maringá (Noroeste) e Curitiba (2). Até o final deste mês, Ponta Grossa também deverá implantar uma unidade. Atualmente, 98 serviços de saúde estão credenciados para a realização de transplantes em todas as regiões do Estado.

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