Em fevereiro deste ano, a vida da assistente financeira Eliana Medeiros deu uma reviravolta: o filho de 8 anos foi diagnosticado com leucemia. No entanto, após três meses de tratamento e uma série de transfusões de sangue, Pedro Henrique dos Santos está praticamente curado e agora passa por acompanhamento médico no Hospital Universitário de Londrina.
O final feliz dessa história poderia ter sido bem diferente se não fosse o gesto solidário de doadores de sangue, que nem conheciam o garoto, mas sentiram o desejo de ajudar. Um grupo ainda pequeno e longe do ideal para atender toda a demanda de Londrina e Região Metropolitana, que concentra uma população de 801,7 mil pessoas.
O alerta vem do Hemocentro do HU: segundo dados levantados ontem, apenas 1,2% da população da RML (9.847 pessoas) é doadora de sangue, índice abaixo do nacional, que é de 1,9%. O ideal preconizado pela Organização Mundial da Saúde é de 3%. Se contar somente o município de Londrina, este índice chega a 1,5% - 7.964 pessoas.
Um número ainda baixo e insuficiente para atender com tranquilidade a demanda dos hospitais de Londrina e de outros 10 municípios da RM, Cornélio Procópio e Jacarezinho (Norte Pioneiro. "O ideal é que conseguíssemos chegar aos 3% da população como preconiza a OMS e solicita o Ministério da Saúde para que não enfrentássemos períodos críticos, como geralmente acontece nas férias e períodos festivos, em que o número de doadores cai e a demanda aumenta", destaca a assistente social do Hemocentro, Eliane Aparecida Palú Rodrigues.
"E é por este motivo que realizamos, frequentemente, campanhas de doação, coletas externas, palestras de sensibilização, além criar formas de estimular a doação interna também, proporcionando uma recepção ainda mais agradável para os doadores com lanchinhos diferenciados, decoração em datas comemorativas e homenagens em datas especiais", salientou.
O eletricista Gustavo Minoru Shimizu, de Londrina, é doador há mais de 10 anos, realizando o ato solidário a cada três meses. "Comecei a doar quando ainda fazia faculdade. Estavam divulgando uma campanha e eu decidi ajudar; de lá para cá, nunca mais parei", conta. "É gratificante; a gente deixa o Hemocentro tanto ou mais feliz do que quem recebe a doação."

No Paraná
Apesar de não ter um levantamento do índice de doadores de todo o Paraná, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) estima que o percentual de doações no Estado seja de 2,3%. A quantidade está longe do ideal, segundo a chefe de Divisão de Qualidade do Centro, Elvira Folda. Para atender os 384 hospitais de Curitiba, Região Metropolitana e interior do Estado, o Centro precisa de 150 doações diárias, segundo ela. A média, porém, tem sido de 70 doações.
Elvira explica que a regularidade na doação é fundamental devido à validade dos componentes do sangue. "As plaquetas, por exemplo, podem ser usadas de três a cinco dias depois de colhidas. Já as hemácias duram de 30 a 40 dias. Por isso, é importante que a doação seja constante e não só quando realizamos campanhas, em que surgem vários doadores", completa.
Para ser um doador de sangue é preciso estar em boas condições de saúde; ter entre 16 e 67 anos; pesar no mínimo 50kg; estar descansado; alimentado e apresentar o documento original com foto emitido por órgão oficial.

Serviço:
Mais informações sobre doação de sangue no Hemocentro, pelo fone (43) 3371-2218

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