O estudante Rafael Dias, de 19 anos, chegou ao Hemocentro do Hospital Universitário (HU), por volta das 11 horas de ontem, acompanhado da namorada, Fernanda Landuci, 20 anos. Ele passou pela primeira vez por uma experiência capaz de salvar vidas. Doou sangue, cerca de 450 ml, que vai se juntar ao estoque do Hemocentro.
Foram cerca de 20 minutos até que ele fizesse os exames preliminares junto da equipe de enfermagem e passasse pela avaliação médica, que detecta as condições de saúde do paciente, até a saída da máquina coletora de sangue. Na máquina foram apenas cinco minutos para que o sangue fosse retirado de Rafael e repassado para a bolsa, de onde será processado e armazenado.
O único imprevisto foi uma pequena queda de pressão, controlada rapidamente pela equipe que trabalha no Hemocentro. ''Imaginei que seria uma queda maior de pressão, mas foi muito tranquilo'', afirmou Rafael.
A ação foi incentivada por uma amiga, estudante de Medicina, que já doa sangue há bastante tempo. ''Ela me falou da importância e da necessidade de doar. Acho importante e resolvi fazer'', explica o estudante, que já tem na família os pais como doadores regulares. ''Espero doar sangue regularmente porque isso significa salvar uma vida.''
Tornar regular a doação de sangue e incentivar pessoas que nunca doaram a fazer esse gesto. Esta é a intenção do Ministério da Saúde (MS), que lançou uma campanha no último dia 20 em todo Brasil. Segundo dados do MS, no Brasil apenas 1,8% da população adulta faz doação regular de sangue. O índice ideal, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), preconiza que 3% a 5% da população de cada País seja doadora.
Em Londrina, esse índice é maior, mas ainda não o ideal. Cerca de 2,5% da população são doadores. ''Precisamos ampliar esse número e fidelizar essa doação'', afirma a assistente social do Hemocentro do Hospital Universitário (HU), Eliana Palú Rodrigues.
No Hemocentro, o movimento de doadores é constante. São cerca de 40 candidatos por dia com uma média de 35 doadores aptos. O Hemocentro tem cadastrados 1.100 doadores candidatos que conseguem doar uma média de 950 bolsas de sangue por mês. Cada bolsa recolhe em média 450 ml de sangue.
Além de abastecer os bancos, atendendo as mais variadas patologias, o sangue é importante no seu fracionamento, de onde são tiradas o plasma, as plaquetas e as hemácias, além dos fatores de coagulação, que também são utilizados no tratamento de muitas doenças.
''Precisamos manter sempre o estoque em função da validade do sangue'', explica Eliana. As plaquetas, por exemplo, vencem em apenas cinco dias. As hemácias duram entre 35 e 42 dias e o plasma vence no prazo de um ano, em caso de transfusão de sangue. A utilização do plasma para o envio a indústrias para a produção de hemoderivados pode ser feita em até cinco anos.
Homens podem doar a cada dois meses. Já no caso das mulheres, a doação é feita a cada três meses. ''Esse espaço de tempo garante a reposição de todos os componentes do sangue no organismo. No prazo de 24 horas a parte líquida do sangue já é reposta com a ingestão de bastante líquido. O mais demorado é a reposição do ferro, que vai depender de cada organismo''.

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