Cambé O estudante Edson Monteiro do Santos, 14 anos, achava que computador servia apenas para comportar jogos eletrônicos. Logo que passou pela primeira vez sua mão em um mouse, e assistiu à explosão de luz em frente ao monitor, percebeu que aquela máquina estranha poderia de alguma forma mudar sua vida, nem que isso demorasse. O pequeno Edson ainda não tem a habilidade costumeira com o computador, a exemplo de vários adolescentes de sua idade, mas já teve acesso a um recurso educacional que parecia distante de sua realidade. O garoto mora no Bairro Campos Verdes, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), onde aproximadamente 180 famílias sobrevivem em situação precária, sem rede de esgoto, algumas casas com cobertura de lona e ligações clandestinas de energia elétrica os populares gatos.
O Projeto Inclusão Digital, uma parceria entre a Secretaria Municipal de Ação Social e o quinquagenário Instituto Nossa Senhora Auxiliadora (Insa), foi buscar nesse cenário de exclusão social e escassez de oportunidades sua primeira turma. Uma vez por semana, 22 alunos, selecionados por uma equipe da prefeitura, participam de um curso de conhecimento básico de informática. O transporte do itinerário bairro-colégio fica a cargo da prefeitura, que alugou uma van e um microônibus. O Insa, por sua vez, disponibiliza o professor, as apostilas e o laboratório, com direito a um aluno por PC.
De acordo com o professor Fábio Marques, o curso dura em média 30 horas e proporciona um nível de conhecimento básico, com noções de Windows, Word, Excell e Internet. ''São as ferramentas básicas para iniciar um processo de aprendizagem. Aqui, eles aprendem como fazer um arquivo, digitar um texto ou montar uma planilha. Após o curso, eles terão condições de se adaptar a tarefas impostas pelo mercado de trabalho'', argumentou o professor.
Dos 22 alunos selecionados, todos ainda frequentam a escola, mas o desejo de arrumar o primeiro emprego e poder ajudar em casa tornou-se uma necessidade. É o que pensa outra aluna do curso, Aline Anjios Lima, de 16 anos, que está no 1º ano do ensino fundamental do Colégio Estadual 11 de Outubro, no Campos Verdes. ''Já aprendi bastante coisa, espero que isso possa me ajudar quando procurar meu primeiro emprego''. Pollyana Creone Trindade, 14, também estuda no 11 de Outubro e assim como a amiga, transborda motivação. ''Tenho que me esforçar pra aprender o máximo, porque a gente sabe que hoje em dia fica difícil arrumar emprego sem informática'', observou. ''Quero ajudar minha mãe em casa'', prosseguiu Pollyana.
O garoto Edson dos Santos, ligeiramente desnorteado entre uma pergunta e uma orientação do professor, demorou um pouco a perceber que o computador tinha outras utilidades. Por enquanto, não tem a mesma preocupação das meninas, mas não deixou de mencionar que o emprego é uma coisa importante. ''Meu pai e minha mãe disseram pra eu continuar aprendendo, porque isso pode ajudar no meu futuro'', afirmou.

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